A decisão tomada pelos cinco vereadores do PSDB de Maringá de sair em bloco do partido pode ser o ponto final para o ninho tucano da cidade. Abalado desde a última campanha, quando o ex-prefeito Jairo Gianoto, hoje sem partido, perdeu a reeleição e passou a responder denúncias do Ministério Público (MP) sobre desvios de dinheiro dos cofres públicos, o PSDB enfrenta uma série de problemas. Os vereadores prometem que a desfiliação conjunta acontecerá nos próximos dias.
Os tucanos dizem estar descontentes principalmente com dificuldade para prestar contas das dívidas de campanha estimadas em R$ 780 mil. Em dezembro do ano passado, o presidente do diretório municipal, Georges Khouri, simplesmente abandonou o partido. A mesma atitude foi tomada pelos demais integrantes da executiva. ‘‘Nunca mais a executiva se reuniu, principalmente pelo problema das contas’’, afirma o vereador Mário Hossokawa (PSDB).
Além de Hossokawa, decidiram sair do partido os vereadores Dorival Dias, Márcia Socreppa, Paulo Mantovani e o presidente do Legislativo, Walter Guerlles. O PSDB tem a maior bancada da Câmara, composta por 21 vereadores.
Segundo Hossokawa, os vereadores se sentem abandonados também pela executiva regional, presidida pelo senador Álvaro Dias. ‘‘Nunca mais recebemos a atenção de ninguém’’, reclamou. Ele afirmou que os vereadores não marcaram uma data para a desfiliação, mas garantiu que será ‘‘nos próximos dias’’. ‘‘O combinado é sairmos juntos.’’ Dos vereadores, apenas Guerlles recebeu um convite oficial para entrar no PSL.
Alvaro disse que pretende conversar hoje com o presidente da Câmara. O objetivo do senador é ganhar tempo e tentar convercer a turma a não deixar o partido. ‘‘Agora sei que a situação em Maringá exige providências mais urgentes.’’
Para o senador, o ideal agora é a formação de uma comissão provisória do PSDB em Maringá. ‘‘Pedi para o Odílio (deputado federal, Odílio Balbinotti) e para o (senador) Osmar Dias articularem o partido em Maringá, mas isso ainda não aconteceu’’, afirmou Alvaro. Questionado sobre as dívidas de campanha, ele disse que quem responde são os representantes do comitê financeiro. ‘‘Preciso conhecer melhor este problema sob o aspecto legal, mas sei que há problemas com as despesas da campanha.’’
O PSDB tem ainda como representantes em Maringá Balbinotti e Osmar. Balbinotti sempre fez questão de se manter afastado do ex-prefeito Gianoto. Osmar se afastou depois que as denúncias do MP se tornaram públicas, mas apoiou abertamente Gianoto para a reeleição. Atualmente, o partido tem poucos representantes na região.
As denúncias investigadas pelo MP não atingem somente Gianoto. Durante um depoimento prestado à Justiça Federal, o ex-secretário municipal de Fazenda Luis Antônio Paolicchi (apontado como principal acusado pelos desvios) disse que o dinheiro público teria beneficiado a campanha de Alvaro e do governador Jaime Lerner (PFL) na região. Todos negam as acusações.

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