A polêmica suscitada pelas promotorias de Garantias dos Direitos Constitucionais e de Defesa do Patrimônio Público não mudou a rotina da Câmara dos Vereadores de Londrina ontem. No final de semana, os promotores titulares anunciaram que vão analisar a legalidade e moralidade do projeto de resolução aprovado na última sexta-feira que aumentou em cerca de R$ 2,5 mil a verba de gabinete para a próxima legislatura.
Até ontem, contudo, nenhum ofício solicitando explicações havia sido impetrado junto a Câmara pelo Ministério Público (MP). O projeto, de autoria da Mesa Executiva, amplia o teto de gasto com assessores de R$ 4,3 mil para R$ 6,8 mil por vereador.
Na prática, isso significa um gasto anual de aproximadamente R$ 600 mil, valor que é quase o dobro do que seria economizado com a extinção das três cadeiras por força de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na sessão de ontem, o assunto passou sem muitos comentários, mesmo porque não há grande expediente em extraordinários. Interpelado pela imprensa, o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL) voltou a argumentar que o projeto é legal e necessário.
''Já tivemos um retrocesso na redução de três cadeiras e a cidade continua com as mesmas demandas, haverá mais trabalho para cada vereador'', afirma. Ele também argumenta que o aumento não teria impacto muito grande no total de verbas de repassados pelo Executivo. ''A Câmara nunca utilizou todos os 5%, hoje utilizamos 4,2% e com a lei a expectativa é que passe para 4,3% ou 4,4%'', afirma.
''A questão da economia não se faz com redução (de vereadores) e som com corte de repasses'', justifica sobre a possibilidade aberta e não concretizada de economia dos cofres públicos para a próxima legislatura. Para Bonilha, o aumento se traduziria em uma melhoria de qualidade de trabalho dos assessores. ''Poderemos ter assessores mais qualificados'', diz.
O líder do governo na Câmara, Nelson Cardoso (PT) vai pela mesma vertente. ''Pela minha leitura acho que qualquer mandato fica fortalecido com a qualificação'', argumenta. Sobre as reações da população, ele acredita que polêmica deveria ser outra. ''O que a sociedade e também o MP devem ficar atentas é se há mau uso do dinheiro'', diz. A matéria foi aprovada por unanimidade, com três ausências.

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