Vereadores afastam prefeita interina
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sábado, 18 de janeiro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Câmara de Vereadores de Rio Branco do Sul, município da Região Metropolitana de Curitiba, afastou ontem do cargo de prefeita interina, por 90 dias, a vice-prefeita Joana Elias (PSC). De acordo com os vereadores, Joana estaria impedindo os trabalhos da comissão processante da Casa, que extingiu o mandato do prefeito Bento Chimelli (PSC) no dia 23 de dezembro, após receber denúncias de que Chimelli estaria envolvido em irregularidades administrativas e receptação de carros roubados. Pela decisão, Joana também fica suspensa da condição de vice-prefeita.
Chimelli está foragido desde o dia 13 de dezembro, quando a Polícia Militar realizou uma busca em sua casa para checar denúncias de que veículos da prefeitura estavam servindo para o uso pessoal do prefeito. Além dos veículos oficiais, a busca encontrou vários veículos com chassi adulterados, além de 14 armas sem registro, sendo que uma delas tinha venda proibida no Brasil.
De posse do resultado da busca, a Câmara de Vereadores extinguiu o mandato do prefeito e instalou uma comissão processante para cassar os direitos políticos de Chimelli. De acordo com o presidente da comissão, vereador Sadi Ribas (PSB), Joana Elias teria assumido o cargo apenas figurativamente, mas continuava a seguir ordens de Chimelli. ''Em um primeiro momento os secretários municipais foram exonerados, mas depois todos os cargos de confiança foram mantidos. Além disso, ela também estaria incorrendo em nepotismo'', explicou Ribas. O marido de Joana Elias estava à frente da Secretaria de Finanças de Rio Branco do Sul.
Ribas também acusa a prefeita interina de prejudicar os trabalhos da comissão processante, que investigava o desvio de R$ 1 milhão dos cofres públicos, que deveriam ter sido usados para o pagamento de funcionários terceirizados da prefeitura. ''Duas empresas (Emprosul e Leotério & Eleotério) deixaram de pagar os funcionários por três meses. Os donos das empresas eram duas pessoas muito humildes da região, que acreditamos serem apenas laranja do ex-prefeito Chimelli. Inclusive, após a morte de um dos donos da Emprosul, o próprio prefeito passou a efetuar os pagamentos em seu gabinete, com os funcionários sendo coagidos a assinarem recibos em branco'', comentou o vereador.
Joana Elias foi afastada do cargo por 6 votos a 3 em uma votação realizada ontem na Câmara Municipal. Em seu lugar, assumiu o presidente da Câmara, Elias Maltaca. Ainda ontem após a posse, Maltaca já ordenou a exoneração de todos os servidores em cargo de confiança na prefeitura ligados a Chimelli. A Folha tentou entrar em contato com os advogados de Chimelli e Joana Elias, mas não obteve retorno. Ela pode recorrer da decisão do Legislativo.


