Vereadores adotam cautela sobre redução de salários
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quinta-feira, 06 de agosto de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Com discurso afinado, vereadores de Londrina pregam cautela sobre possível proposta de redução de salários e número de cadeiras na Câmara. Porém, preferem deixar um discurso mais aprofundado para um outro momento, caso algum projeto de iniciativa popular chegue à Casa. Os parlamentares chegaram a se reunir a portas fechadas na sala da presidência por cerca de uma hora e meia, ontem, antes de iniciar a Ordem do Dia. O motivo da reunião não foi informado oficialmente, mas assessores da Câmara disseram que a pauta era para afinar o discurso e tentar conter o assunto.
A proposta começa a proliferar nas páginas pessoais do Facebook de Londrina depois que a pressão popular fez com que vereadores de Santo Antônio da Platina aprovassem a redução dos ganhos da próxima legislatura para R$ 970 mensais. Movimento semelhante ocorreu em Jacarezinho.
Para o ex-presidente Rony Alves (PTB), a Câmara de Londrina tem características que tornam a comparação com a de outras cidades infundada. Para ele, se a pauta chegar, o Legislativo está preparado para mostrar, em números, que mantém um trabalho sólido e responsável. "Nós não aumentamos tributos e não temos qualquer benefício que não seja o soldo. Estamos prontos para um debate de alto nível", afirma.
Mesma opinião tem Roque Neto (PR), também ex-presidente da Casa. Para ele, a atual composição tem trabalhado com decência e mais transparência, além de reforçar a função fiscalizadora.
Lenir de Assis (PT) considera que há um movimento hoje para tentar desqualificar a importância da política na vida das pessoas e que o foco do debate deve ser o papel dos políticos na sociedade, incluindo o dos vereadores. "Esse debate tem de ser feito constantemente, mas, para muitos, é interessante um Legislativo pouco representativo."
Sandra Graça (SD) considera que o descrédito não pode ficar restrito aos políticos, mas que há uma crise de valores na qual há instituições e pessoas que se aproveitam disso para benefícios privados. "A qualidade (dos vereadores) não se mede com quantidade. Se vamos discutir qualidade no Legislativo, ela tem que ser mais ampla", defende.


