Vereadores admitem 'apoio' mas negam caixa 2
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terça-feira, 02 de agosto de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Citados pela ex-assessora financeira Soraya Garcia como supostos beneficiários de dinheiro de caixa 2 da campanha do PT, parlamentares da base aliada do prefeito Nedson Micheleti negaram ontem o favorecimento, mas admitiram ter recebido ''apoios'' em suas respectivas campanhas na coligação proporcional da chapa ''Bem Londrina''.
As declarações foram dadas na volta dos trabalhos na Casa, após o recesso de um mês. E no retorno, nada de críticas diretas ao Executivo: cautelosos, muitos preferiram insinuações e remissões ao escândalo que corre em Brasília nos poucos discursos feitos no Plenário. As referências mais explícitas ficaram por conta de um grupo intitulado ''Força Comunitária de Londrina'', que apresentou faixas reclamando da infra-estrutura na saúde municipal, com ironias destinadas a Nedson. ''Prefeito, a casa do Jacks Dias virou banco?'' e Prefeito, e o cofre roubado?'' foram algumas das estampas, referências ao secretário de Gestão Pública, que, segundo Soraya, era o coordenador do caixa 2 no período eleitoral. Composto por cerca de 50 moradores de várias regiões da cidade, o grupo ainda direcionou uma série de vaias e frases sarcásticas aos petistas que usaram o microfone.
O ex-líder do prefeito na Câmara, Gláudio Renato de Lima, negou que sequer conhecesse Soraya, a quem ameaçou de processo judicial. ''É uma irresponsabilidade dela citar meu nome, já que não participei da coordenação nem do comitê financeiro da campanha do PT. Não recebi nada, não a conheço'', afirmou, taxativo. Questionado sobre o contexto geral da denúncia, Lima desconversou. ''Se teve irregularidades, não foi com consentimento do Nedson. E se alguém tem culpa, tem é que sair do governo'', concluiu, mostrando-se surpreso quando informado do pedido de demissão apresentado ontem pelo diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Augusto Ermétio Dias Junior. ''Talvez seja pela situação pessoal delicada em que ele se encontra, pois levou a Soraya à campanha'', emendou.
A também petista Maria Ângela Santini reafirmou ter recebido apenas ''apoio em material gráfico, panfletos, e em quotas de combustível'', mas não citou números. ''Foi tudo por meio de requisições, jamais recebi dinheiro da campanha majoritária'', comentou, completando que não chegou a procurar a coordenadação, e sim ter recebido ''a oferta do Luís Fernando'' Pinto Dias, vice na chapa de Nedson. ''Ele me orientou que a declaração já constaria da chapa para a Prefeitura'', concluiu.
Outro vereador da coligação de Nedson, Flávio Vedoato (PSC) garantiu que desconhece Soraya e que a prestação de seus R$ 29 mil de gastos está ''em conformidade'' com a Justiça Eleitoral. Mesmo assim, ele completou que recebeu 15 mil postais da coordenação, após um acordo com Jacks Dias. ''Pedi a ele e ele me deu, mas tenho recibos disso tudo e paguei de meu bolso as postagens'', encerrou.
O novo líder do Executivo, Lourival Germano, declarou ter falado poucas vezes com a ex-assessora financeira, mas nunca sobre repasse financeiro. ''Recebi um volume satisfatório de santinhos, e quem fez minha campanha foram meus familiares'', resumiu.
Já o presidente do Legislativo, Orlando Bonilha (PL), classificou a denúncia de Soraya como ''palavras ao vento''. Com uma prestação de contas ''dentro da realidade'', o vereador admitiu que cada candidato do PL conversou com o prefeito pessoalmente para pedir auxílio, mas ''nunca dinheiro''. ''Eu mesmo pedi material gráfico, mas isso tudo consta como doação da majoritária'', minimizou.


