Oito dos nove vereadores de Marumbi (33 km ao sul de Apucarana) decidiram abrir mão de seus salários por seis meses. A medida vai vigorar a partir de janeiro e foi tomada anteontem. O prefeito Ademar Pini (PFL) vai reduzir em 50% seu subsídio de R$ 3,2 mil/mês, também a partir de janeiro. Tanto a prefeitura como a Câmara afirmam que a iniciativa tem o objetivo de cortar gastos para adequação ao ajuste fiscal. A economia mensal pode chegar a R$ 5 mil, o equivalente a 12,5% da folha de pagamento da prefeitura, de R$ 40 mil.
‘‘É a nossa forma de ajudar o município e evitar demissões de servidores, além de outros cortes’’, explicou o presidente da Câmara, Amadeu Lelis Ribeiro (PFL). Em setembro, os vereadores haviam reduzido seus salários em 50% - de R$ 498,00 passaram a ganhar R$ 249,00. ‘‘A prefeitura estava precisando’’, argumentou. Segundo ele, não houve dificuldade para aprovar a ‘‘renúncia’’ semestral. ‘‘Foi uma iniciativa de solidariedade ao município’’. A única exceção foi a vereadora Elaine Maria Ferreira Costa (PFL), que não concordou em abrir mão do salário. Segundo Ribeiro, ela assumiu vários compromissos e por isso não aceitou ficar sem receber.
Para o prefeito, a atitude dos vereadores é sinal de companheirismo. ‘‘Isso me traz muita satisfação’’. O prefeito confirmou que a medida evitará dispensa de servidores - a prefeitura emprega 150 funcionários - e garantirá a manutenção do atendimento nas creches e no hospital.
Marumbi, que tem cerca de 5 mil habitantes e uma arrecadação de R$ 80 mil/mês, vive uma situação que se pode chamar de perfeita harmonia entre os poderes Executivo e Legislativo. Toda a cúpula política da cidade é do PFL - vereadores, prefeito e o vice Claudiner Feliciano. ‘‘Há total entendimento e respeito’’, afirmou Pini. Mas como é administrar sem polêmica, sem contradição? ‘‘Não é bem assim. Existem idéias contraditórias e já voltei atrás em muitas decisões’’, garantiu. Ele disse que cede mais do que os vereadores. ‘‘Eles não concordam com tudo, não. É um contra nove’’.
O prefeito é delegado aposentado da Receita Federal e vive sua primeira experiência política. Ele reclama da queda na arrecadação e da suspensão de repasse de alguns convênios do Estado, mas afirma que o salário do funcionalismo está em dia e o dinheiro do 13º reservado. ‘‘O recurso para tocar o município é pouco e a necessidade é grande, mas arrumamos formas alternativas de combater o desemprego’’, explica. Pini elaborou projetos comunitários que garantem renda mensal de R$ 200,00 para cada uma das 100 pessoas envolvidas. ‘‘Criamos fonte de receita para os trabalhadores e para a prefeitura’’.

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