Vereadores abrem mão de salário por 6 meses em Marumbi
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de novembro de 1998
Patrícia Zanin 
Oito dos nove vereadores de Marumbi (33 km ao sul de Apucarana) decidiram abrir mão de seus salários por seis meses. A medida vai vigorar a partir de janeiro e foi tomada anteontem. O prefeito Ademar Pini (PFL) vai reduzir em 50% seu subsídio de R$ 3,2 mil/mês, também a partir de janeiro. Tanto a prefeitura como a Câmara afirmam que a iniciativa tem o objetivo de cortar gastos para adequação ao ajuste fiscal. A economia mensal pode chegar a R$ 5 mil, o equivalente a 12,5% da folha de pagamento da prefeitura, de R$ 40 mil.
É a nossa forma de ajudar o município e evitar demissões de servidores, além de outros cortes, explicou o presidente da Câmara, Amadeu Lelis Ribeiro (PFL). Em setembro, os vereadores haviam reduzido seus salários em 50% - de R$ 498,00 passaram a ganhar R$ 249,00. A prefeitura estava precisando, argumentou. Segundo ele, não houve dificuldade para aprovar a renúncia semestral. Foi uma iniciativa de solidariedade ao município. A única exceção foi a vereadora Elaine Maria Ferreira Costa (PFL), que não concordou em abrir mão do salário. Segundo Ribeiro, ela assumiu vários compromissos e por isso não aceitou ficar sem receber.
Para o prefeito, a atitude dos vereadores é sinal de companheirismo. Isso me traz muita satisfação. O prefeito confirmou que a medida evitará dispensa de servidores - a prefeitura emprega 150 funcionários - e garantirá a manutenção do atendimento nas creches e no hospital.
Marumbi, que tem cerca de 5 mil habitantes e uma arrecadação de R$ 80 mil/mês, vive uma situação que se pode chamar de perfeita harmonia entre os poderes Executivo e Legislativo. Toda a cúpula política da cidade é do PFL - vereadores, prefeito e o vice Claudiner Feliciano. Há total entendimento e respeito, afirmou Pini. Mas como é administrar sem polêmica, sem contradição? Não é bem assim. Existem idéias contraditórias e já voltei atrás em muitas decisões, garantiu. Ele disse que cede mais do que os vereadores. Eles não concordam com tudo, não. É um contra nove.
O prefeito é delegado aposentado da Receita Federal e vive sua primeira experiência política. Ele reclama da queda na arrecadação e da suspensão de repasse de alguns convênios do Estado, mas afirma que o salário do funcionalismo está em dia e o dinheiro do 13º reservado. O recurso para tocar o município é pouco e a necessidade é grande, mas arrumamos formas alternativas de combater o desemprego, explica. Pini elaborou projetos comunitários que garantem renda mensal de R$ 200,00 para cada uma das 100 pessoas envolvidas. Criamos fonte de receita para os trabalhadores e para a prefeitura.


