Vereadores abrem CP contra Barbosa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Paula Barbosa Ocanha <br> <br> Reportagem Local 
Durante uma sessão tumultuada, a Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem, por unanimidade, a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Barbosa Neto (PDT) no caso Centronic. A CP, a primeira aberta desde o início do mandato do pedetista, trabalha com a possibilidade de o prefeito ter usado verba pública (através de contratos entre a prefeitura e a Centronic) para pagar vigias para a rádio de sua família. No início da tarde, o prefeito deu sinal verde aos sete parlamentares que integram sua base aliada para que a CP fosse instaurada na Casa, alegando que ''quem não deve não teme''. Os três vereadores que vão integrar a CP foram escolhidos por sorteio: Roberto Kanashiro (PSDB), presidente, José Roque Neto (PR), relator, e Rodrigo Gouvêa (membro).
Apesar da unanimidade, a votação da CP esteve longe de ser tranquila. No início da tarde, as galerias do plenário já estavam lotadas - novamente com um lado pró-Barbosa e outro que era favorável à criação da CP. O prefeito foi até a Câmara com a intenção de fazer um discurso no plenário. Ele chegou acompanhado do presidente local do PDT, também presidente da Sercomtel, Roberto Coutinho Mendes, e de seu advogado, João Gomes Filho. Segundo o prefeito, ele solicitou ao presidente da Câmara que concedesse um tempo para que ele se manifestasse no plenário, mas não teria recebido o aval, optando por sair do plenário.
Seguido pela imprensa e por manifestantes das galerias - alguns o chamavam de ''ladrão'' e outros davam gritos de apoio -, o prefeito alegou que teve seu ''direito de ampla defesa negado''. ''Pedi aos vereadores o direito de me pronunciar e esse direito infelizmente me foi negado. Nós estamos nesse momento com a consciência tranquila de que nenhum vigia foi desviado da prefeitura para trabalhar na rádio. Gostaria de anunciar que eu libero nossa bancada para que eles possam investigar, porque quem não deve não teme.''
Após o anúncio do prefeito, feito no pátio da Câmara mas com ampla repercussão entre os parlamentares, a CP entrou na pauta de votação. Alguns vereadores pediram a palavra para apoiar o pedido de investigação. O vereador Jairo Tamura (PSB) criticou o presidente da Mesa Executiva, Gerson Araújo (PSDB), por não ter concedido o tempo do prefeito no plenário. Gerson rebateu a informação alegando que apenas informou ao prefeito que iria consultar a assessoria jurídica para ''avaliar o melhor momento''.
Após o anúncio de que todos poderiam votar favoráveis à investigação, porém, o advogado do prefeito entrou com um pedido tentando anular o voto de Joel Garcia (PP) e Amauri Cardoso (PSDB), o primeiro por ser ''inimigo declarado'' do prefeito e o segundo por ter acusado o prefeito de estar por trás da denúncia de compra de votos de vereadores para aprovar matérias de interesse do Executivo. Mas o próprio advogado depois desistiu da manobra e a votação da CP ocorreu nominalmente entre gritos e vaias das galerias. Somente o vereador Jacks Dias (PT) não estava presente no momento da votação por problemas médicos na família. Todos os outros 18 parlamentares foram favoráveis à instauração da CP.
CP da Centronic
Dois dos três integrantes da Comissão Processante pertencem à base aliada - Roque Neto e Rodrigo Gouvêa. A mãe de Gouvêa, Altina, está à frente da Secretaria do Idoso desde janeiro. Kanashiro é o único vereador de oposição. Inicialmente, ao invés de Gouvêa, tinha sido sorteado o nome de Jacks Dias (PT), mas ele renunciou à vaga por ter sido citado no relatório da CEI. ''Eu acho que isso atrapalha as investigações'', justificou o petista.
A CEI da Centronic, que inclusive foi presidida por Kanashiro, apontou que houve irregularidades desde o início do contrato entre a empresa de segurança Centronic e o Município, em 2006, na gestão Nedson Micheleti (PT). O vereador Dias, que era secretário de Gestão Pública na época da contratação, teria recebido R$ 52 mil de propina para que a empresa fosse contratada pela prefeitura. O atual vereador teria também permitido que a empresa contratasse vigias, embora o contrato pagasse pela contratação de vigilantes. Cerca de R$ 400 de diferença entre os salários ficava na conta da empresa.
Além disso, através de holerites de dois vigias que diziam trabalhar na Rádio Brasil Sul, a investigação da CEI aponta que quem pagava o salário dos dois era o município de Londrina, por isso foi indicada uma abertura de CP contra o prefeito. Essa foi a quarta CP votada no plenário desde o início do mandato de Barbosa. A Câmara já tinha arquivado o mesmo pedido em relação aos casos da Guarda Municipal, da Saúde e da suposta promoção pessoal no Réveillon Luz.
Afastamento
Já no início da noite de ontem, o vereador Joel Garcia (PP) ainda protocolou na Câmara um pedido para que a Casa entre na Justiça pedindo o afastamento do prefeito Barbosa Neto da administração, até que a CP da Centronic conclua os trabalhos. O pedido deve ser votado na próxima sessão da Casa, marcada para a quarta-feira. ''Essa vinda dele à Câmara, falando que cada vereador poderia votar como quisesse, não colou. Isso é interferência.'' O pedido de afastamento começou a ser cogitado por vereadores de oposição na terça-feira, logo após o escândalo de suposta compra de voto, por parte de pessoas ligadas à administração, para que a CP fosse arquivada. A denúncia foi feita pelo vereador Amauri Cardoso (PSDB).
Leia mais na página 4.




