Vereadora é chamada de vereador nas sessões
Arquivo FolhaAvançoMarta Suplicy: garantia das ações afirmativas propostas pela ONUÚnica mulher a ocupar uma das 21 vagas na Câmara de Vereadores de Londrina, Elza Correia (sem partido) reclama da falta de espaço da mulher na política e lembra que 70 candidatas disputaram as eleições do ano passado, mas apenas ela foi eleita, apesar de 51% do eleitorado de Londrina ser formado por mulheres. Durante a vida toda a mulher ouviu que política é coisa de homem. Infelizmente, ela continua reproduzindo a ideologia machista através do processo que herdou com sua bisavó. Ainda se faz política de gênero.
Para Elza, apesar do avanço do trabalho da mulher na sociedade, tanto nas áreas social, econômica e cultural, ela ainda é educada para cuidar de crianças, velhos e doentes.
Na opinião da vereadora, a emenda da deputada federal Marta Suplicy representa um trampolim. Ainda sendo uma participação forçada, é uma forma de estimular novas lideranças e dar visibilidade à competência da mulher, também na atuação política, avalia Elza, integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Na verdade, nenhuma mulher se sente bem com essa cota, mas é uma alternativa concreta para dar oportunidade às candidaturas femininas, acredita. Segundo ela, graças à reserva de vagas, mais de 60 mil mulheres disputaram mandatos eletivos em 96.
Elza admite porém, que, na prática, a busca da igualdade entre homens e mulheres ainda está longe do fim. A vereadora cita que o seu documento na Câmara veio com o grifo vereador. Nas sessões, via de regra sou chamada de vereador. Quase todas as correspondências que recebo têm a inscrição ilustríssimo senhor vereador e assim por diante, exemplifica.
Em Curitiba, apenas duas das 35 cadeiras da Câmara de Vereadores são ocupadas por mulheres: Julieta Reis (PFL) e Nely Almeida (PSC). Esta última também lamenta a falta de união da categoria na hora de depositar os votos nas urnas. Mulher não vota em mulher por falta de uma conscientização mais ampla. Elas continuam com aquela mentalidade de que o poder é coisa de homem. E isso já está decadente, assegura.
A vereadora curitibana confessa que brigar no meio da homarada não deixa de ser desgastante. Muito mais que os homens, a fragilidade do Legislativo, sempre atrás das decisões do Executivo, é motivo para a preocupação da categoria, sempre desunida.
Nely Almeida diz que, como se não bastassem os problemas enfrentados diariamente pelas eleitas, os partidos pouco ajudam. Eu, por exemplo, estava no PSDB e nunca me valorizaram. Sou vereadora pela terceira vez e jamais fui prestigiada, reclama a vereadora. (P.Z e Leandro Donatti)





