Representantes de sindicatos e entidades de Maringá entregaram ontem à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público uma denúncia contra a vereadora Márcia Socreppa (PSDB). Ex-presidente da Fundação de Desenvolvimento Social (FDS) e funcionária municipal, ela é acusada de, nos últimos seis meses, ter recebido salário sem trabalhar na prefeitura.
Conforme Cláudio Roberto Timossi, da Central de Apoio à População (CAP), a denúncia às entidades foi feita por servidores. ‘‘A partir daí verificamos que de fato a vereadora não está licenciada e, além da Câmara, recebe também da prefeitura’’, disse. Timossi lembrou que o servidor que atua como vereador tem a prerrogativa de pedir licença do serviço ou continuar prestando expediente em horário diferenciado da Câmara. ‘‘Mas, pelas denúncias, a vereadora continua recebendo da prefeitura sem trabalhar’’, ressaltou.
O secretário de Governo, Sílvio Januário, disse ontem que Márcia ficou nos últimos seis meses ‘‘à disposição do gabinete’’, trabalhando dentro da necessidade. Ele afirmou que a administração tem dificuldades em lotar a vereadora. ‘‘Não é fácil encaixar a Márcia’’, admitiu. ‘‘E como ela não pediu licença depois de eleita ficamos com um problema’’.
Segundo Januário, Márcia é assessora administrativa e recebe cerca de R$ 1 mil. ‘‘Agora a lotamos na Secretaria de Cultura para trabalhar na Biblioteca Central, mas ainda sim poderemos ter problemas’’. Januário e o prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT) – quando era candidato – fizeram uma denúncia contra Márcia na PF por crime eleitoral.
A vereadora está de férias como servidora. Ela disse à Folha que a denúncia de ontem não procede porque nos últimos meses estava no gabinete. Ela não adiantou se irá pedir licença. O MP tem 30 dias para decidir se abre um inquérito civil ou se arquiva a denúncia.

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