Curitiba - A vereadora Ana Maria Branco de Holleben (PT) deixou o Corpo de Bombeiros de Ponta Grossa ontem à tarde, após a 2 Vara Criminal da região aceitar o seu pedido de liberdade definitiva. Prima do deputado estadual Péricles de Mello (PT), ela estava sob custódia policial desde o dia 2 de janeiro, quando o grupo Tigre, da Polícia Civil, acusou a política de ter forjado o próprio sequestro com o objetivo de influenciar as eleições para a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores.
Ana Maria ''desapareceu'' logo após a cerimônia de posse dos vereadores, dia 1º de janeiro, no caminho entre o teatro da cidade e a sua residência. Ela teria sido retirada abruptamente do carro em que estava, na companhia de sua mãe, Dona Branca, já idosa, por pessoas supostamente armadas. À noite telefonou para a família dizendo que tinha sido sequestrada. No dia seguinte, quando ela apareceu na Santa Casa de Ponta Grossa, o investigador Luiz Alberto Cartaxo a autou em flagrante, sob as acusações de falsa comunicação de crime, fraude processual e formação de quadrilha. Quatro pessoas foram detidas temporariamente, por supostamente terem ajudado na simulação, entre elas o motorista de Ana Maria.
Desde o retorno da vereadora, o depoimento dela não foi tomado pela Polícia Civil. Assessores de Ana Maria disseram que ela estava fortemente medicada quando reapareceu, necessitando de cuidados especiais com a saúde. A situação dificultou a ação da polícia, que agora terá que aguardar mais 20 dias para ouvir a versão da parlamentar sobre os fatos. Esse é o prazo que o advogado de Ana Maria pediu para que ela se recupere de uma ''depressão grave''. Em liberdade, a política seguiu para uma clínica de repouso não revelada.
A informação que ela teria pedido afastamento do cargo de vereadora não foi confirmada pela Câmara de Ponta Grossa. O diretório municipal do partido emitiu nota dizendo que o caso será analisado pela Comissão de Ética e Disciplina, e que a situação deixou ''perplexos'' os militantes do Partido dos Trabalhadores. ''As denúncias oferecidas até o momento são de extrema gravidade e agridem profundamente os ideais democráticos historicamente defendidos pelo PT'', ajuizou a comissão executiva da legenda, em nota oficial.
Apesar do tom crítico do comunicado à imprensa, a diretoria do partido encontrou espaço na sua manifestação para defender a atuação de Ana Maria dentro do PT, ainda que evitando citá-la nominalmente. ''(Eles) sempre tiveram dentro do partido uma trajetória de dedicação, trabalho e respeito às causas populares e aos princípios éticos que regem as atividades públicas'', disseram. Na página do diretório no Facebook, os administradores republicaram um comentário de Flávia Holleben, filha da vereadora, em que ela reclama do tratamento dispensado a sua mãe ''por conta de um episódio ainda não devidamente esclarecido''.
''Ana Maria ainda não foi ouvida, sua prisão é manifestamente ilegal, atropela direitos e garantias constitucionais e viola as mais comezinhas leis de direito penal e processual penal. Espero e confio no desenrolar das investigações sem as pressões que até o momento vêm massacrando uma pessoa que, há mais de trinta anos, e em seu terceiro mandato seguido como vereadora pelo PT, não ostenta nenhum patrimônio que não seja o moral'', desabafa Flávia. A eleição da Câmara de Ponta Grossa foi vencida pela oposição, graças ao alinhamento de última hora da bancada com o vereador Aliel Machado, do PCdoB. Ana Maria era membro da oposição e já tinha declarado seu voto em Paulo Cenoura (PSC) antes do desaparecimento.

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