Vereadora considera ''estranha'' a idéia de criar novo cargo
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domingo, 14 de outubro de 2001
De Londrina 
A vereadora Elza Correia (PMDB) disse ontem que ficou surpresa com a idéia de nomear um interlocutor para mediar as conversas entre a Câmara e o Executivo. Ela soube da proposta pela Folha. ''Não conheço essa discussão mas, em princípio, acho estranho. Que eu saiba seria a primeira vez que se criaria uma figura para tentar fazer o meio campo entre os dois poderes. Mais estranho ainda na medida em que o prefeito já tem um líder'', considerou.
Para Elza, caberia ao líder do governo na Câmara - no caso, André Vargas - discutir projetos do Executivo, polêmicos ou não, com os outros colegas. Essa discussão, ela observa, não é só na hora da votação. ''Liderar um governo não é entrar na sessão e querer ganhar o voto no peito.''
A vereadora também questionou o fato da administração fazer nova nomeação para acomodar o interlocutor - ''mais ainda em se tratando da saúde financeira (do município), que não é boa''. E criticou o fato de o assunto não ter sido levado para dentro do Legislativo. ''Já que (o interlocutor) vai atuar na Câmara, junto da Câmara, em conexão com a Câmara, teríamos que participar dessa discussão'', criticou.
Sobre o relacionamento entre Executivo e Legislativo, Elza disse considerar natural dificuldades eventuais. ''Estou no poder há cinco anos e essa relação, embora tenha que ser harmoniosa, também é conflitante. Existem visões diferentes. Aí vai da habilidade dos dois poderes em lidar com as situações. Mas desde que meu pai foi vereador, em 1949, não vi criar um super-homem ou uma supermulher para fazer esse papel.''
A vereadora admite que muitas vezes a Câmara acabou aprovando projetos com vícios de origem, mas argumenta que se houvessem discussões prévias, muitos dos problemas não teriam ocorrido. ''Eu tenho boa disposição de levantar problemas, conversar, mas sem essa conversa fica difícil. Quando vem o veto, as argumentações são apresentadas, mas por que não argumenta antes, na discussão do projeto?''
Já para o vereador Tercílio Turini, o fato de existir a presença do líder do governo nas sessões da Câmara não torna supérflua a figura de um interlocutor. ''O líder traz a posição do prefeito. Mas ele também é um vereador, está no dia a dia, fazendo muitas tarefas, e não tem o tempo necessário para promover esse tipo de discussão'', avaliou. (L.H.)


