Vereadora chorou com o pai
A vereadora londrinense Elza Correia (sem partido) (foto) seguiu os passos políticos do pai, Manoel Jacinto Correia e espera que seus filhos também sigam. Vereador em Londrina e militante comunista, Manoel Jacinto lutou contra a ditadura, foi torturado e batalhou por um País mais justo. ‘‘Ele sempre disse que, apesar das limitações, é melhor ocupar os espaços para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Passou o bastão para mim e trabalho na direção de que meus filhos compreendam e possam ser herdeiros nessa tarefa.’’
Para Elza, os 20 anos da anistia representam um marco para o Brasil. ‘‘Se não devolveu a vida dos que se foram, é um marco histórico que possibilitou a muitos continuar vivos. Não devolve as perdas, nem faz secar lágrimas, mas representou um saldo de qualidade na construção da democracia.’’ Ela lembra ainda que a lei foi resultado de uma luta ferrenha dos democratas, progressistas e cristãos. ‘‘De todos os cidadãos que entendem que um País só é livre se respeitar os direitos humanos e a cidadania.’’
Na opinião da vereadora, a anistia também foi importante porque o Brasil trouxe para casa seus filhos banidos, muitos dos quais continuam contribuindo com a vida do País.
No dia em que foi anunciada a anistia, Elza lembra ter acompanhado o choro de seu pai. ‘‘Ele disse que durante muitos anos, seu choro tinha sido de tristeza pelo sofrimento dos companheiros e aquele choro não era de alegria, mas de esperança que o Brasil pudesse voltar aos trilhos de origem. Chorou profundamente.’’ A vereadora disse que hoje entende muito bem o que representaram as lágrimas do pai. ‘‘Poder voltar a sonhar com a democracia.’’ (P.Z.)

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