Vereador vai 'pagar o preço' para mudar nome de avenida
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terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O vereador interino Marcos Defreitas (sem partido) disse que a avalanche de críticas contra a mudança de nome da Avenida 10 de Dezembro - data de aniversário de Londrina - para Via Expressa Governador José Richa não o fará retirar o projeto de lei já aprovado em primeira votação na Câmara Municipal. Segundo Defreitas, as resistências à alteração não representam o ''progressismo'' característico de Londrina. ''A atribuição de dar nomes às vias está dentro das prerrogativas do vereador e não vou abrir mão desse direito'', afirmou.
O vereador disse também que abriu espaço para o debate ao não submeter o projeto à segunda votação no final de 2006. ''Se quisesse, já teríamos aprovado definitivamente. Mas preferi deixar a segunda votação para esse ano e abrir o debate''.
Marcos Defreitas é suplente eleito pelo PSDB e ocupou no último trimestre do ano passado a vaga do verereador Sidney de Souza (PTB), que se afastou para disputar as eleições. Nos próximos quatro meses, permanece na Câmara em substituição a Tercílio Turini (PSDB), que está de licença médica.
Nessa entrevista por telefone à Folha, Defreitas, que está de férias em Florianópolis, defendeu a mudança de nome como uma justa homenagem ao ex-prefeito de Londrina e ex-governador José Richa, e se queixou que a imprensa não dá destaque a suas outras ações na Câmara.
Depois da polêmica, você se arrependeu de ter apresentado o projeto?
Em momento algum. Acho que as grandes discussões têm que ser feitas sem medo e com amor à causa. Temos que voltar a discutir a cidade da maneira que era no passado. Imagine a coragem dos desbravadores de Londrina há 70 anos. Eu acho que a Câmara tem que resgatar essa coragem. Não vou abrir mão das prerrogativas de vereador.
Fora a questão da coragem, qual é a utilidade do projeto para o dia-a-dia da cidade?
Acho que é uma mudança justa para um homem que foi um grande desbravador de Londrina, talvez o político de maior expressão que já tivemos.
E os prejuízos que serão gerados para os comerciantes e moradores da via - entre alterações cadastrais, cartões de visita, placas, entre outras?
Falar isso é uma coisa meio primária. A lei dá três anos para as alterações. Anualmente os empresários já têm que fazer o cadastro na Receita Federal, então é alterar. E o cara falar quem em três anos não vai fazer um novo bloco de notas, ou de cartão, não existe.
Quem apóia essa mudança?
Eu não gostaria de citar um ou dois nomes, mas temos um abaixo assinado na Câmara apoiando a mudança. Acho que tem mais de cem pessoas.
A mudança de nome de rua não abre um precedente perigoso para alteração de outras vias sob critérios políticos? Não seria mais adequado aguardar a criação de uma nova rua, ou monumento, para fazer a homenagem ao ex-governador?
Não abre precedente porque tem uma lei federal que impede a mudança em ruas que já tem nome de pessoa. Por exemplo, a Avenida Tiradentes não pode ter o nome alterado como pretendeu há muitos anos o Alex Canziani - que queria batizá-la de avenida Horácio Sabino Coimbra (fundador da Companhia Cacique de Café Solúvel).
Um leitor da Folha escreveu que você estaria fazendo média com o prefeito de Curitiba, Beto Richa, filho do ex-governador, e virtual candidato ao governo em 2010. O próprio Beto já foi homenageado via projeto de sua autoria...
Essa colocação é indevida. Estamos falando de alguém de expressão nascido em Londrina que hoje é prefeito de Curitiba. Quando era deputado estadual, me lembro que o Beto Richa sempre deu atenção para Londrina na distribuição de verbas.
Você não teme que sua interinidade na Câmara seja marcada por essa polêmica?
Eu quero que a imprensa tenha a mesma sensibilidade com os projetos positivos que aprovei. Eu não criei a polêmica, apenas cumpri minhas obrigações. Na Câmara, sou um dos vereadores que mais fala dos buracos na cidade, da industrialização, participo de todas as discussões. Mas se esse for o preço, nós pagaremos.
Fica alguma mágoa?
Todo homem público tem que ter coragem de manter suas idéias. O que me surpreende é a forma que Londrina, que sempre se considerou uma cidade de vanguarda, analisa uma questão como essa. Londrina tem que voltar a ser progressista. Eu apresentei o projeto com muita consciência e não preciso disso para aparecer na mídia.


