Vereador teria ameaçado com retaliações
No dia da apresentação da denúncia contra os cinco vereadores acusados de concussão e formação de quadrilha, os representantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) negaram qualquer linha de investigação em direção ao Executivo municipal. Segundo o promotor Cláudio Esteves, contudo, quaisquer elementos que surgirem nesse sentido serão apurados no desdobramento do inquérito. ''Não há como se imputar ou indicar a participação de qualquer pessoa do Poder Executivo neste momento, o que não significa que estejamos fechados a isso. O que dizemos é que essa investigação será desdobrada para ter uma amplitude maior'', sinalizou.
Se as três situações pelas quais o grupo foi acusado de formação de ''organização criminosa'' não tratam diretamente de relações com a Prefeitura, indiretamente, uma delas traz menção a supostas retaliações que o não pagamento de propina elencaria à vítima por parte da administração. Isso consta do depoimento do empresário Alexandre Fontana Guimarães, proprietário do Mercado Guanabara, prestado no último dia 10 ao Gaeco e ao delegado Ernandes Cézar Alves. Conforme a ação penal proposta anteontem, Guimarães teria sido extorquido pelo vereador Henrique Barros (PMDB) - preso naquele mesmo dia - em pelo menos R$ 10 mil, já que uma alteração aprovada no Código de Posturas do Município, em dezembro passado, proporcionara que o empreendimento dele funcionasse 24 horas.
Em parte do depoimento, Guimarães cita que teria recebido ligações constantes de Barros para realizar o pagamento, ou, caso contrário, sofreria ''possíveis retaliações caso não efetuasse o pagamento do valor mencionado'', as quais ''poderiam-se dar-se por meio de modificações de leis com o intuito de prejudicar o declarante no seu comércio, 'mexer os pauzinhos' para não conceder a autorização de funcionamento do estabelecimento e ainda possíveis retaliações por parte do Executivo''.
O prefeito em exercício, Luiz Fernando Pinto Dias (PT), refutou as colocações que teriam sido feitas pelo vereador denunciado. ''Respeitamos todos os critérios na concessão de alvarás, por exemplo, e não interferimos nessa relação entre empresário e vereador. Não sei como as pessoas conversaram, como um colocou e outro absorveu alguma questão'', afirmou. (J.G.)





