Vereador tem prisão preventiva decretada
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sábado, 24 de novembro de 2001
Andréa Lombardo<br>De Curitiba 
A promotora de Justiça de Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba), Cláudia Regina Ribas, decretou anteontem a prisão preventiva do vereador Pedro Alberto Barausse (PFL). Ele foi acusado pelo comerciante Isaías Gomes da Silva, numa entrevista para um jornal local, em maio deste ano, de ser o cabeça de uma quadrilha de falsificação de documentos e roubo de veículos. Silva e o repórter que fez a matéria, Aldo Tschoke, também tiveram mandados de prisão expedidos.
''Queremos tentar decifrar qual o envolvimento de cada um deles nessa história'', disse a promotora. Segundo ela, há fortes indícios da participação de Silva na quadrilha, mas que precisam ser melhor investigados. Já o repórter é acusado de atrapalhar as investigações, tumultuar o processo, adulter as gravações da entrevista dada por Silva.
Até o final da tarde de ontem, nenhum deles havia sido preso. O delegado Paulo de Castro, que solicitou a prisão, disse que a intenção é fazer uma acareação entre os três. A Folha procurou pelo vereador e a informação na Câmara é de que estaria fora da cidade por conta do mandado de prisão e que ele não havia fornecido os novos números de telefone de sua residência e do celular.
Tschoke foi o único acusado que a Folha conseguiu ouvir. Ele estava se escondendo da polícia e disse que não saber o motivo do pedido de prisão e nem do que está sendo acusado. Ele contou que planeja se apresentar junto de seu advogado na segunda-feira.
Tschoke disse que toda a confusão começou em maio, quando a mulher de Silva teria procurado a Rádio RBN, de Campo Largo, onde trabalhava, pedindo que entrevistassem seu marido. Ela alegava que Silva teria sido vítima de uma ''queima de arquivo''.
Isaías havia levado cinco tiros do cunhado Lidiomar Inácio da Silva, que, segundo a promotora, continua preso por tentativa de homicídio e outros crimes. Lidiomar teria atirado em Silva porque ele havia entregue sua participação em um caso de aborto. Para Tschoke, Silva teria contado que Lidiomar faria parte da quadrilha liderada pelo vereador.
''Desde maio minha vida se tornou um inferno. Já passei todo tipo de medo'', declarou Tschoke. Segundo ele, Barausse, além de ser o vereador mais votado do município, é uma pessoa de muita influência.
As denúncias publicadas no jornal Folha de Campo Largo motivaram a Câmara de Vereadores a instalar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e, em seguida uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que concluiu seus trabalhos esta semana. Segundo o vereador que presidiu a CPI, Lino Petry, o relatório (cujo teor não foi divulgado)será votado na sessão da segunda-feira.


