O vereador londrinense Joel Garcia (PP), que apresentou projeto de lei para viabilizar a construção de um hipermercado do Grupo Muffato em um terreno do empresário Anderson Fernandes, preso desde sexta-feira passada suspeito de oferecer propina ao vereador Roberto Fú (PDT), disse que ''enquanto pairar dúvidas e investigações, a tramitação do projeto está interrompida''. A garantia, afirmou o vereador, também foi dada ao promotor de Defesa do Patrimônio Público Renato de Lima Castro, a quem Joel prestou depoimento ontem.
Joel Garcia disse ter o aval do departamento jurídico da Câmara que o projeto é legal e negou que o empresário tenha lhe oferecido qualquer vantagem para protocolar a proposta na Câmara. ''A reunião foi na presença de cinco testemunhas e em hipótese alguma houve oferecimento de qualquer vantagem'', afirmou.
A liberação do hipermercado tramitava no setor de alvarás da Prefeitura de Londrina e, segundo o vereador, seria o ex-chefe de gabinete de Barbosa Neto (PDT) Rogério Ortega quem estaria viabilizando aprovação. ''Esse projeto estava sendo tocado lá na prefeitura pelo ex-assessor do vereador Roberto Fú, Rogério Lopes Ortega, e de acordo com o empresário a prisão do Rogério atrapalhou a tramitação e a vinda do projeto para a Câmara.''
Joel também disse que Roberto Fú teria concordado com a matéria. ''Nosso objetivo era ajudar, tanto que eu chamei o Fú no meu gabinete e cobrei porque o Executivo não mandava esse projeto para a Câmara. E o vereador disse que ia averiguar e me daria uma resposta. Eu ainda perguntei se ele assinava junto e ele disse que não veria problema naquele momento.''
Roberto Fú negou a versão do colega. Disse que o empresário já havia solicitado que ele apresentasse o projeto em março ou abril, mas recusou-se. ''Disse ao empresário que tal projeto teria de vir do Executivo. Tempos depois o Joel me procurou, mas nunca me reuni com ele para tratar disso. Ele me chamou um dia no plenário, durante a sessão, passei o projeto para minha assessoria e comunicamos que eu não assinaria a proposta'', relatou Fú. ''O empresário não me ofereceu dinheiro pelo projeto porque já estava oferecendo os R$ 40 mil para manter a Lei da Muralha.''
O empresário Anderson Fernandes, dono de lojas de material de construção e de empresas que atuam no ramo imobiliário, teria oferecido R$ 40 mil para Fú não polemizar quando o projeto 161/2011 fosse à votação. A matéria de autoria de Fú derruba a Lei da Muralha, duas normas aprovadas em 2005 e 2006, que impedem a construção de hipermercados e depósitos de construção em uma grande área da cidade.
O hipermercado beneficiado pelo projeto de Joel estava fora da Lei da Muralha, mas o projeto precisava de autorização legal para avançar o recuo de 5 metros, ter altura de mais de 7,5 metros (19 metros) e gerar tráfego não permitido para zonas comerciais seis (ZC6).

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