Vereador quer proibir pílula do dia seguinte
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quinta-feira, 23 de junho de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Enquanto não consegue aprovar a proibição da venda de bebidas alcoólicas em locais públicos, o vereador tucano Paulo Arildo tenta emplacar outros dois projetos polêmicos na Câmara de Londrina. Um deles trata da exibição de artigos eróticos nas vitrines de sex-shops da cidade o que ele pretende vedar, com a exigência de uma cortina ou de insufilm nos vidros. Mas o que gerou mais discussão com o poder público e recorrência aos chamados ''moral e bons costumes'' foi o que visa proibir a venda e a distribuição de anticoncepcionais de emergência (ou pílula do dia seguinte) em todo o município.
Pelo projeto de Arildo, tanto a saúde pública seria impedida de entregar as pílulas quanto as farmácias e drogarias seriam proibidas da comercialização do produto. O argumento-base não é necessariamente constitucional, mas religioso Arildo é católico carismático há oito anos e tem na Igreja Católica de Londrina a base de seu eleitorado. Se isso não fere o chamado Estado laico (ou seja, separado na Igreja)? Ele garante que não. ''Sigo a Bíblia, antes da Constituição'', definiu ele, que vê no uso da pílula do dia seguinte uma espécie de aborto.
Ao mesmo tempo, o vereador admitiu desconhecer o programa Rosa Viva, iniciativa da Secretaria Municipal da Mulher que atende vítimas de violência sexual inclusive com a distribuição orientada do anticoncepcional na Mternidade Municipal. O substitutivo que estende a proibição à farmácias, apresentado ontem, foi encaminhado com o projeto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Presente na Câmara, o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, antecipou que o Executivo deve vetar o projeto, caso ele seja aprovado, já que a distribuição da pílula é feita em todo o País. ''Além do mais, vetar isso na Maternidade tiraria a possibilidade de mulheres de baixa-renda terem acesso ao medicamento'', justificou Fernandes. Questionado se a distribuição gratuita, de certa forma, não implicaria no desestímulo de métodos que previnem também doenças como a camisinha , o secretário discordou. ''Isso cabe à mulher discutir com o parceiro. Ao Estado, cabe o fornecimento'', concluiu.


