Curitiba - As peculiaridades da língua portuguesa podem atrapalhar o turismo em Foz do Iguaçu, cidade procurada por turistas de todos os continentes que querem conhecer as famosas Cataratas do Iguaçu. Este é o argumento do vereador Djalma Pastorello (PSDB) no projeto de lei que propõe mudar a grafia de Foz do Iguaçu para Foz do Iguassu.
A discussão sobre uma eventual mudança mobilizou os vereadores e a sociedade, que ontem discutiu a proposta em audiência pública. O projeto deve ir a plenário em outubro.
O vereador explica que muitas línguas não usam o ''ç'', como o alemão, por exemplo. ''Os turistas vão procurar Foz do Iguaçu na Internet e não encontram'', explicou. ''Além disso, às vezes fico constrangido com o e-mail'', lamenta o vereador, explicando que, nos endereços eletrônicos dos vereadores, Foz do Iguaçu é escrita com ''c'' e não com ''ç''.
Para o vereador, a grafia com ''ss'' é um resgate histórico. Em 1914, foi fundada a vila Iguassu. Em 14 de março daquele ano, através da Lei 1383, foi criado o Município de Vila Iguassu, instalado no dia 10 de junho do mesmo ano.
Quatro anos depois o município passou a chamar-se Foz do Iguassu. Na década de 40, com a adoção do vocabulário ortográfico da língua portuguesa, conforme a Academia Brasileira de Letras, a grafia foi alterada para Iguaçu.
O professor e escritor Nilton Bobato manifestou-se contrário ao projeto, segundo a assessoria de imprensa da Câmara de Foz. O professor argumentou que as mudanças ortográficas, concluídas recentemente, são também uma forma de a nação estabelecer a sua identidade.
Pastorello lamenta que nem todas as cidades do País alteraram a grafia de seus nomes por causa do vocabuláro ortográfico. Foi o caso de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

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