Insatisfeito com as explicações ontem do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, o vereador de Londrina Rony Alves (PTB) afirmou que vai pedir a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara para apurar condutas praticadas pela empresa. Segundo o vereador, até agora, as justificativas apresentadas pela CMTU para as denúncias feitas por funcionários e ex-funcionários da empresa ainda não são ''claras'' o suficiente. ''Nós, vereadores, precisamos parar um pouco e ver o que está acontecendo dentro da CMTU. Precisamos de uma investigação mais séria, mais profunda. Investigar as questões das multas, mas não só isso, investigar a CMTU como um todo'', afirmou Alves.
Na semana passada, um grupo de dez servidores e ex-servidores da CMTU ocuparam o plenário para apresentar denúncias contra a empresa e a sua atual administração. Na ocasião, eles afirmaram que os agentes de trânsito de Londrina seriam estimulados, pela diretoria da empresa, a efetuar multas em troca de benefícios, como plano de saúde. Os funcionários denunciaram também que ascensões de cargo foram realizadas de maneira irregular, após três versões do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) - nos anos de 1997, 2004 e 2006. O caso já tramita na Justiça do Trabalho. Os funcionários também acusaram a direção da CMTU de ''blindar'' os servidores que receberam o benefício da ascensão (entre os beneficiados está a mulher do atual presidente da CMTU) e de promover represálias aos servidores que se manifestaram contra as promoções ou que prestaram depoimento à Justiça do Trabalho (na ação sobre o PCCS)
Durante a sessão ontem na Câmara, foi apresentada uma cópia de um ''comunicado de dispensa'', no qual, o presidente da CMTU demite um funcionário alegando ''constatação de falso testemunho'' prestado pelo servidor. Os vereadores questionaram a competência do presidente da CMTU em efetuar demissões desta natureza.
O procurador jurídico da Casa, Miguel Garcia, foi chamado ao plenário e esclareceu que ''se há um motivo de justa causa ou não, o falso testemunho deve ser declarado em juízo''. Nadai evitou a polêmica: ''quero preservar os funcionários da empresa''.
Nos esclarecimentos que prestou ontem à Câmara, Nadai negou a existência de uma suposta indústria da multa em Londrina e voltou a defender a atuação da empresa, alegando que as multas são aplicadas de forma regular e dentro de uma média ''aceitável''. ''Exite sim, só para uma categoria em específico, que são os agentes de trânsito, o chamado adicional de serviços externos desde 2006. Todos os agentes recebem esse adicional. Não há estímulo individual para a aquisição do benefício'' afirmou. Mas Nadai acrescentou que o adicional, por decisão da atual gestão, cresceu de 5% para 15% em 2009.
O presidente apresentou uma planilha demostrando que de 2008 a 2011 a média de aplicação de multas/mês por funcionário se manteve praticamente estável. ''Em 2008 o número foi de 65. Em 2009 esse número teve uma redução considerável. Em 2010 a média foi de 66 e em 2011 é de 64. Se existia essa pressão para multar ela aconteceu antes de 2008'', defendeu Nadai.
Sobre as supostas ascensões irregulares, Nadai afirmou que agora compete à Justiça do Trabalho decidir. Em primeira instância, a Justiça do Trabalho condenou a CMTU a reconduzir os 113 servidores que mudaram de cargo sem a realização de concurso público para os postos de origem, mas a empresa recorreu da decisão.
As explicações do presidente da CMTU não convenceram o vereador Alves, que afirmou que a abertura de uma CEI ''é certa'' e precisa apenas ser debatida com os outros parlamentares. ''Temos que decidir se a medida é viável, já que estamos próximos do final do ano e o prazo estabelecido para as investigações é de 90 dias. Se houver necessidade, nós temos que colocar a mão na massa. Eu defendo a abertura imediata'', afirmou.

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