Insatisfeito com as explicações do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, o vereador Rony Alves (PTB) afirmou que vai pedir a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara para apurar condutas praticadas pela empresa.

Na semana passada, um grupo de dez servidores e ex-servidores da CMTU ocupou o plenário para apresentar denúncias contra a empresa e a sua atual administração.

Eles afirmaram que os agentes de trânsito de Londrina seriam estimulados pela diretoria da empresa a efetuar multas em troca de benefícios. Os funcionários denunciaram que ascensões de cargo foram realizadas de maneira irregular, após três versões do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) - nos anos de 1997, 2004 e 2006. O caso já tramita na Justiça do Trabalho.

Os funcionários também acusaram a direção da CMTU de ''blindar'' os servidores que receberam o benefício da ascensão (entre os beneficiados está a mulher do atual presidente da CMTU) e de promover represálias aos servidores que se manifestaram contra as promoções ou que prestaram depoimento à Justiça do Trabalho (na ação sobre o PCCS).

Nos esclarecimentos que prestou hoje (20) à Câmara, Nadai negou a existência de uma suposta indústria da multa em Londrina e voltou a defender a atuação da empresa, alegando que as multas são aplicadas de forma regular e dentro de uma média ''aceitável''.

O presidente apresentou uma planilha demostrando que de 2008 a 2011 a média de aplicação de multas/mês por funcionário se manteve praticamente estável. ''Em 2008 o número foi de 65. Em 2009 esse número teve uma redução considerável. Em 2010 a média foi de 66 e em 2011 é de 64. Se existia essa pressão para multar ela aconteceu antes de 2008'', defendeu Nadai.

Sobre as supostas ascensões irregulares, Nadai afirmou que agora compete à Justiça do Trabalho decidir. Em primeira instância, a Justiça do Trabalho condenou a CMTU a reconduzir os 113 servidores que mudaram de cargo sem a realização de concurso público para os postos de origem, mas a empresa recorreu da decisão.

As explicações do presidente da CMTU não convenceram o vereador Alves, que afirmou que a abertura de uma CEI ''é certa'' e precisa apenas ser debatida com os outros parlamentares.

Com informações do repórter Vinícius Zanin.

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