Vereador que levou sete tiros acusa colega
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2001
Maurício Borges De Apucarana 
O vereador de Jardim Alegre (140 km ao sul de Apucarana), José Antônio Dutra (PSDB), acusou ontem o vereador reeleito, Benedito de Jesus Batistet (PDT), o Nenezão, de ter contratado dois pistoleiros para matá-lo. Ele disse ainda que a próxima vítima seria o prefeito reeleito Osmir Braga (PSDB). Dutra levou sete tiros de revólver calibre 38, na noite de sexta-feira, quando chegava em casa.
Batistet, que anteontem foi autuado em flagrante e está preso por manter munição de uso restrito (calibre 45 e 9 milímetros) em sua casa, negou a acusação, em depoimento à polícia. Ele alegou que não teria motivos para promover o atentado, já que nunca teve problemas com Dutra.
Segundo o vereador baleado, todos imaginavam que ele tivesse sido vítima de uma tentativa de assalto, no momento em que descia de sua caminhonete F-4000. Na verdade isso nada teve a ver com um assalto, porque os dois homens chegaram numa motocicleta e, de armas em punho, foram disparando contra mim, a uma distância de 5 metros, lembrou Dutra. Ele acrescentou que a dupla nem chegou a descer da moto, fugindo em seguida.
Zé Dutra (como é mais conhecido) afirma estar vivo por obra de Deus. Foram disparados 12 tiros e os sete que me atingiram não causaram nenhum ferimento grave, contou o vereador, que já saiu do hospital, mas ainda tem um projétil alojado na região da nuca.
A vítima disse que começou a desconfiar de Nenezão por causa do comportamento estranho. Ele teria demonstrado muita insegurança quando foi vistar Dutra no hospital. Chamei o delegado (João Batista do Prado), e passei essas informações, que contribuíram para desvendar o caso, acredita.
Segundo o vereador, toda a trama já teria sido confessada por Tonhão Gaúcho, morador de Jardim Alegre, cujo nome completo não foi fornecido pela polícia. Ele estaria com a prisão preventiva decretada porque teria sido o intermediário na contratação dos pistoleiros, em Curitiba. Um deles (pistoleiro) é irmão do Tonhão e até já ligou para a polícia, avisando que irá se apresentar, garantiu Dutra.
A vítima sustenta ainda que a esposa e filha de Tonhão também já prestaram depoimentos e confirmaram toda a trama. Existem inclusive declarações de que o valor acertado por Nenezão com os pistoleiros seriam R$ 13 mil, para me matar e depois completar o serviço, matando também o prefeito, relatou.
O delegado de Jardim Alegre, João Batista do Prado, confirmou que a polícia está investigando o caso e que várias testemunhas já foram ouvidas. Mas ele anunciou que só irá falar a respeito quando forem concluídas as investigações. O que a vítima está afirmando sobre o suposto atentado é de sua inteira responsabilidade, afirmou.
O advogado de Batistet, Juarez Carneiro Lima, argumentou que a acusação é absurda e pode ter cunho político, considerando que seu cliente faz oposição ao prefeito. Ainda ontem, o advogado encaminhou ao juiz de Ivaiporã, Maurício Boher, um pedido de liberdade provisória, mediante pagamento de fiança. Batistet é vereador reeleito, tem família, residência fixa, renda e ocupação lícita, argumentou.
A Folha tentou ouvir ontem o prefeito, mas ele não foi encontrado na prefeitura e nem retornou as ligações. O secretário dele, João Luis Turc, afirmou que Braga não havia sido procurado pela polícia. Ele também não soube dizer se o prefeito pediu proteção à Secretaria de Segurança Pública.


