Vereador preso pode ser mesmo mandante
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2001
Maurício Borges De Apucarana 
O juiz substituto da Comarca de Ivaiporã, Maurício Boer, decretou ontem a prisão preventiva do vice-presidente da Câmara de Jardim Alegre (140 km ao sul de Apucarana), Benedito de Jesus Batistet (PDT), 44 anos, o Nenezão. Ele é acusado de ser mandante da tentativa de homicídio contra o também vereador José Antônio Dutra (PSDB), 53 anos e de manter em casa munição de uso retrito (calibre 45 e 9 mm). Segundo o juiz, o pedido de prisão partiu do delegado João Batista do Prado
Boer disse à Folha que a prisão não é definitiva. O inquérito ainda está tramitando e muita coisa precisa ser esclarecida durante as investigações. Ele explicou também que o pedido da polícia foi aceito com base em algumas provas e depoimentos já juntados ao inquérito.
Dutra, que no dia 5 foi atacado por dois motociclitas armados e recebeu sete tiros, acusa Nenezão de ter contratado pistoleiros para matá-lo. A próxima vítima seria o prefeito Osmir Braga (PSDB). O vereador baleado sustenta que toda a trama já foi confessada por Carlos Antônio Pedro da Silva, o Tonhão Gaúcho, que também teve prisão preventiva decretada e está na cadeia de Ivaiporã. Tonhão teria sido o intermediário na contratação dos pistoleiros, incluindo um irmão, residente em Curitiba.
O acusado, que nos dois últimos anos ocupou a presidência da Câmara de Jardim Alegre, é um ferrenho opositor do prefeito. Ele foi preso em flagrante na terça-feira, depois que policiais encontraram munição de grosso calibre em sua casa. A busca e apreensão foi autorizada por mandado judicial. No dia seguinte, seu advogado, Juarez Carneiro Lima, apresentou um pedido de liberdade provisória, mas sem êxito.
A prisão preventiva foi acatada ontem pela Justiça, depois que um segundo pedido foi apresentado pelo delegado, desta vez referendado por um dos representantes do Ministério Público.
O advogado Jeferson Ribeiro, de Curitiba, deve ingressar com um habeas corpus no Tribunal de Justiça para tentar obter a liberdade do vereador. Os elementos apresentados pela polícia no pedido de prisão preventiva são frágeis, argumenta Ribeiro, afirmando que Batistet tem família, residência fixa, profissão definida e foi reeleito para o cargo de vereador em Jardim Alegre.
Mesmo com a prisão preventiva de Nenezão decretada pela Justiça, o delegado não quis dar informações sobre o caso. Prado disse que só irá se manifestar depois que tudo estiver elucidado. Ele alegou que a Polícia não pretende dar detalhes das investigações para não prejudicá-las. O delegado apenas deixou escapar que falta localizar dois envolvidos.
O prefeito reeleito, que seria a segunda vítima dos pistoleiros, conforme garante o vereador atingido, também evita falar a respeito da investigação. Ontem ele disse à Folha que Jardim Alegre é uma cidade tranquila e não deseja tumultuar o ambiente. Só irei manifestar-me depois de apurados os fatos, afirmou. O atentado teve ampla repercussão em Jardim Alegre, que tem 13.677 habitantes.


