Vereador põe convênio sob suspeita
Patrícia Zanin
De Londrina
O vereador de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) Pedro Luiz Chimentão (PPB) pediu providências do Ministério Público Federal em Londrina para apurar possíveis irregularidades em um convênio firmado pela prefeitura de Ibiporã com o Ministério de Planejamento. O vereador alega ter feito um levantamento que demonstra irregularidades nas compras feitas pela prefeitura para as reformas da usina. Segundo ele, o ministério repassou R$ 500 mil para o município e a prefeitura deu contrapartida de R$ 200 mil.
Além do Ministério Público Federal, ele protocolou pedido de providências no Tribunal de Contas. Só tomei essa atitude porque não consegui aprovar na Câmara de Vereadores uma Comissão Especial de Inquérito, afirmou o vereador. O pedido da CEI teve cinco assinaturas, mas seriam necessárias seis.
Segundo Chimentão, o levantamento feito por ele em empresas constatou superfaturamento na compra de caminhões, alambrado e grama. No caso de um caminhão Ford Cargo, por exemplo, a prefeitura teria pago, segundo ele, R$ 61,5 mil, enquanto o preço de mercado seria de R$ 42,5 mil. O prefeito, na Câmara, não negou os valores e disse que conseguiu doações de empresas na conta da prefeitura, que eu considero irregular.
O prefeito Nadir Bigatti (PMDB) confirmou à Folha ter recebido doações de empresas para o município. A licitação foi absolutamente legal e depois de efetuada a compra, solicitamos doações das empresas. Ele considera o processo comum. Muitas prefeituras fazem isso para ter recursos. No caso de Ibiporã, Bigatti disse que as doações, em cheques para a prefeitura, foram usadas para fazer caixa para a contrapartida do município do convênio com o Ministério do Orçamento. Precisávamos de R$ 200 mil, mas estávamos sem dinheiro no caixa. Com as doações, obtivemos entre R$ 70 mil e 80 mil.
Bigatti disse que ainda não foi chamado pelo Ministério Público, mas, se for notificado, leva documentos e encara com tranquilidade. Ele atribuiu a denúncia do vereador a divergências políticas e questionou o motivo pelo qual Chimentão só se manifestou agora, quando as compras foram feitas entre março e abril do ano passado. A assessoria do procurador da República em Londrina Mário Ferreira Leite informou que ele deve avaliar o caso nesta semana e decidir se manda investigar a denúncia ou arquiva o processo. (P.Z.)





