Vereador petista critica obras de Greca
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de dezembro de 1996
Sérgio Wesley Sucursal de Curitiba 
Para deixar sua marca espalhada pela cidade, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, gastou R$ 34,5 milhões com a construção de seis Ruas da Cidadania, 50 Faróis do Saber e o Memorial de Curitiba. O cálculo é do vereador Jorge Samek (PT).
Segundo ele, Greca gastou R$ 22 milhões com as Ruas da Cidadania, R$ 7,5 milhões com os Faróis e R$ 5 milhões com o Memorial. R$ 35 milhões representam três orçamentos da Cohab, que nessa administração manteve a entrega anual de oito mil unidades, entre lotes, casas e apartamentos. Se tivesse aplicado esses recursos na habitação, o prefeito triplicaria o atendimento à população sem moradia, comparou.
O vereador petista lembrou ainda que o orçamento anual da Secretaria Municipal da Criança não chega a R$ 8 milhões. O dinheiro gasto nessas obras, que servem mais ao marketing pessoal do prefeito que à comunidade, deveria ter sido aplicado na ampliação dos programas sociais, destacou.
Para Samek, as Ruas da Cidadania e os Faróis do Saber foram espalhados de forma estratégia pela cidade para servir de out-door permanente do nome de Rafael Greca. Segundo o vereador petista, as Ruas da Cidadania apenas desconcentraram os serviços municipais. Ainda não alcançamos uma descentralização efetiva e os limites impostos pela lei de zoneamento e o plano diretor de Curitiba impedem o desenvolvimento da vizinhança das Ruas da Cidadania, que estão incrustradas em áreas residenciais (exceto a da praça Rui Barbosa), destacando-se da paisagem para chamar mais a atenção, afirmou.
Quanto aos Faróis do Saber, Samek diz que os R$ 7,5 milhões gastos nas 50 unidades prontas ou em construção seriam suficientes para informatizar todas as escolas municipais de Curitiba. A construção de cada Farol custa R$ 150 mil e o acervo de livros de cada unidade é avaliado em R$ 11 mil. Ou seja, a embalagem custou mais que o peixe, que é o verdadeiro alimento, criticou.
O vereador Jorge Samek disse que a tendência do futuro prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, é a de manter os gastos em obras estéticas de elevado custo, deixando de investir mais em áreas prioritárias. Ele citou como exemplo o projeto do Linhão do Emprego. O Cássio deve gastar R$ 20 milhões nessa obra. Esse dinheiro, melhor empregado, estimularia a manutenção das micro e pequenas empresas que estão fechando ou indo para outros locais, sugeriu.
Segundo Samek, a classe média curitibana foi mal acostumada pela administração do PDT a ter obras estéticas como Ópera de Arame, Jardim Botânico, Pedreira Paulo Leminski, Passaúna, Farol do Saber e outras.


