A juíza da 7 Vara Cível de Londrina, Telma Regina Magalhães Carvalho, concedeu ontem habeas corpus preventivo ao vereador Renato Lemes (PRB) no inquérito em que ele foi indiciado, com outros dois ex-vereadores e mais seis vereadores, pelo crime de concussão. O caso se refere às investigações de suposto pagamento de propina pelo empresário Claudemir Medeiros, proprietário da boate Shirogohan, a um grupo de parlamentares que o teria beneficiado com um projeto de alteração de zoneamento, em 2006.
O interrogatório de Lemes estava marcado para ontem às 9 horas. A defesa alegou que o vereador não era o autor do substitutivo que, anexado ao projeto de lei original - que derrubava a obrigatoriedade de que motéis mantivessem a distância de 3,5 Km em relação a bairros residenciais - assinado por Flávio Vedoato (PSC), acabou beneficiando diretamente a Shirogohan. Conforme o documento protocolado na Câmara, contudo, o substitutivo leva as assinaturas não só de Lemes como também de Gláudio Lima (PT), Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e Henrique Barros (então no PMDB).
A FOLHA tentou ouvir a juíza sobre a decisão. No cartório, um funcionário resumiu: ''Ela não fala com a imprensa e não avalia despacho. As partes interessadas é que têm de se manifestar''. À imprensa, ontem, o delegado do Gaeco, Alan Flore, se mostrou surpreso com a medida, uma vez que o depoimento poderia ser um espaço de defesa do vereador. ''É um direito dele ir e se manter em silêncio, por exemplo.'' A expectativa do delegado era concluir o inquérito ainda ontem, para encaminhá-lo já hoje à Promotoria.

mockup