O vereador Roberto Fú (PDT) nunca ouviu qualquer comentário na Câmara de Londrina sobre eventual recebimento de vantagem por vereadores favoráveis à aprovação do projeto de lei do prefeito Barbosa Neto (PDT) que perdoa quase R$ 70 milhões de uma dívida tributária da Universidade Norte Paranaense (Unopar) e reduz em 50% a base de cálculo do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).
Foi isto o que o vereador afirmou ontem em depoimento de 10 minutos ao delegado do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) Alan Flore, titular de um inquérito que apura suposta compra de apoio de vereadores para a aprovar a ''Lei da Unopar'' e manter a chamada ''Lei da Muralha''. A investigação originou-se após a prisão de assessores próximos do prefeito, suspeitos de supostamente tentarem subornar o vereador Amauri Cardoso (PSDB), para que votasse contra a abertura da Comissão Processante da Centronic.
Fú compareceu acompanhado de seu filho, o advogado Denner Pierro Lourenço. ''Foi um grande mal entendido. O delegado recebeu a informação de que tinha escutado falar nos corredores da Câmara que alguém receberia vantagem por votar na lei que beneficia a Unopar, mas nunca ouvi nada sobre lei nenhuma'', assegurou. O delegado afirmou que diante da negativa de Fú apoiará a investigação em outras vertentes. ''Seria mais um elemento de prova, que não se confirmou.''
O projeto da Unopar (PL 105/20122) foi retirado da pauta da Câmara a pedido do líder do prefeito em 15 de maio e arquivado definitivamente, após recomendação administrativa da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público expedida em 3 de maio apontando inconstitucionalidades na proposta.

Aumento do ISS

Depois que o Executivo apresentou o projeto que beneficia a Unopar, Roberto Fú protocolou na Câmara o projeto de lei 172/2012, que aumenta de 2% para 4% a alíquota do ISS para instituições que oferecem ensino superior.
O vereador afirmou que historicamente o ISS foi de 4% para as universidades, mas acabou reduzido em 2006, por meio de um ''cavalo de Troia'', ou seja, um grupo de vereadores apresentou um substitutivo - prevendo a redução - a um projeto do Executivo com outra finalidade. A justificativa dos parlamentares à época, disse Fú, é que as instituições reduziriam o preço das mensalidades. ''Isso não aconteceu. Então, ouvi o clamor de muitos estudantes que têm dificuldades em pagar suas parcelas e apresentei o projeto para o ISS voltar aos 4%.''
Fú afirmou que não conversou com Barbosa Neto acerca da proposta, mas acredita que ela esteja na contramão da política do prefeito. ''Eu até creio sim, porque enquanto querem perdoar uma dívida, o vereador Roberto Fú quer que volte os 4%.'' O projeto foi encaminhado às comissões internas da Câmara e às instituições de ensino superior de Londrina. Quando houver parecer, será votado no Plenário.

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