Vereador mata presidente do PCdoB de Reserva
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terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nelson Renato Vosniak, 32 anos, presidente do PCdoB de Reserva (98 km ao norte de Ponta Grossa), foi assassinado na noite de domingo. Ele e outras duas pessoas estavam num carro, no centro da cidade, e foram atingidos por tiros.
O delegado da cidade, Wallace de Oliveira Brito, disse que o presidente da Câmara de Vereadores de Reserva, Flávio Hornung Neto (PMDB), assumiu o crime. Hornung é sobrinho do prefeito Frederico Bittencourt (PMDB). O peemedebista se apresentou ao delegado na manhã de ontem. Apesar de ter confessado o crime, Hornung não foi preso porque não houve flagrante nem perseguição, segundo o delegado. O delegado explicou que isso não descarta um pedido de prisão preventiva, mais tarde. ''Quero concluir o inquérito o quanto antes, robusto de provas'', afirmou o delegado.
''Um entrevero de longa data acabou em tragédia'', resumiu Oliveira Brito. Na noite de domingo, Vosniak estava no carro, acompanhado de duas pessoas. Giovani Pinto foi atingido e levado ao hospital de Telêmaco Borba. O outro, identificado apenas como Carlos, escapou. Giovani trabalhava para Vosniak no jornal mensal ''O Regional'', de sua propriedade.
O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, determinou que o delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, chefe da Divisão de Policiamento do Interior, acompanhe o caso. Cartaxo estava ontem em Reserva. ''O presidente da Câmara alegou legítima defesa. Ele disse que divergências no campo político evoluíram para o campo pessoal'', contou Cartaxo. Segundo ele, na versão que Flávio Hornung apresentou à polícia, ele e Vosniak teriam se encontrado e ele apenas se defendeu. Cartaxo disse que vai aguardar os laudos e perícias. ''O carro tinha quatro impactos visíveis de disparos'', disse.
Segundo Cartaxo, como o presidente da Câmara entregou-se espontaneamente, assumiu a autoria do crime e não estava sendo perseguido pela polícia, conseguiu escapar do flagrante. ''O flagrante só ocorre no momento do crime, ou quando a pessoa é perseguida e capturada pela polícia em até 24 horas depois do crime. No caso do presidente da Câmara de Reserva, a prisão só poderá ser feita quando for concluído o inquérito, ou se a Justiça expedir um mandado de prisão preventiva contra ele'', explicou. A Folha não conseguiu contato com Hornung para obter detalhes de sua versão.
O deputado André Vargas, presidente do PT do Paraná, também foi até Reserva ontem. ''A população está comovida com este crime. Tenho certeza que justiça será feita e ele (Hornung) não será protegido porque é do PMDB'', disse.
Vosniak liderou um processo de expansão do partido em Reserva, somando mais de 300 filiados. Milton Alves, presidente estadual do PCdoB, pretende acionar ainda a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. No final da tarde, a direção estadual do partido emitiu uma nota oficial. ''Atitudes assim em nada contribuem para o avanço de nossa sociedade, muito pelo contrário, são resquícios de práticas atrasadas em que divergências se resolviam de maneira truculenta, sem respeito às liberdades democráticas'', diz a nota.
Vosniak foi velado na casa dele. Uma passeata silenciosa saiu da casa até a igreja. Faixas pediam paz e justiça. O enterro foi no final da tarde.


