Para o professor de Ética e Filosofia Política da UEL, Clodomiro Bannwart, a relação do cidadão com o poder público, conforme apurou a reportagem junto aos vereadores da região, reflete a "velha política do coronelismo". "A pessoa tem a instituição – no caso, as câmaras municipais – como aquela que deve atender os seus interesses particulares. O correto seria manter a impessoalidade da função pública, mas o vereador manifesta os valores que a sociedade espera dele e acaba transformando a política em assistencialismo".
Na avaliação do professor, é difícil alterar essa realidade, porque tanto o eleitor quanto o político estão em situação confortável. "Você acha que o vereador vai romper com essa lógica? É claro que não, porque sabe que não ganhará mais uma eleição." Ao cobrar respostas para questões particulares, "deixamos de usar o Estado como um mecanismo de reflexão", lamenta Bannwart.
Considerando que o debate político desconsidera totalmente as mudanças estruturais, o patrimonialismo da sociedade tende a permanecer por muito tempo. "A discussão da reforma política que nós vimos agora no Congresso serviu para pelo menos uma coisa; mostrar o que os políticos pensam sobre a política, em desconformidade com as necessidades da sociedade e com os debates realizados na academia."
Citando um episódio da nossa história, Bannwart explicou o surgimento do nosso DNA político. O primeiro documento da história oficial do Brasil, a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, escrita há mais de 500 anos, "mostra o nascimento do jeitinho brasileiro". No final do texto, Caminha pediu a transferência do genro da ilha de São Tomé para Portugal. "Usou o documento público, que ele produziu na função de homem público, pago com dinheiro da coroa, para pedir um favorzinho particular. É o nosso DNA político." (E.F.)

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