Curitiba - Desde que a Assembléia Legislativa divulgou a lista oficial de funcionários efetivos e estatutários, no início de maio, diversos nomes chamaram a atenção. Alguns porque são personalidades públicas, outros porque são parentes de pessoas públicas, outros porque nunca estiveram de fato trabalhando. Pelo menos duas pessoas que fazem parte do quadro de servidores da Assembléia, atualmente ocupam cargos eletivos em dois municípios paranaenses. Um vereador de São Mateus do Sul (91 quilômetros a nordeste de União da Vitória) e o vice-prefeito de Antonio Olinto (121 quilômetros a leste de União da Vitória) possuem cargos na Assembléia. Ambos afirmam que sempre cumpriram expediente.
  O vereador de São Mateus do Sul, Omar Raimundo Pichett Neto (PSL), que mora em Araucária (região metropolitana de Curitiba), garantiu que até um mês atrás dava expediente na Assembléia. Em maio ele pediu exoneração do cargo. ‘‘Eu trabalhava na Assembléia durante o dia porque só tem sessão na Câmara uma vez por semana e à noite. Lá os vereadores não têm gabinete e não precisam dar expediente’’, explicou. Pichett Neto afirmou que sempre morou em Curitiba, apesar de ter sido eleito em São Mateus.
  O vereador explicou que pediu exoneração há pouco tempo porque passou em um concurso público da Petrobras, em Araucária, onde alega trabalhar no momento. Pichett Neto disse que faz tanto tempo que foi contratado pela Assembléia que nem se lembra a data da admissão. A Petrobras confirmou que Pichett Neto passou no concurso e trabalha na empresa.
  O vice-prefeito de Antonio Olinto, Rogério Milléo (PDMB), afirmou que seu emprego atual é mesmo como motorista do deputado Antônio Anibelli (PMDB). Ele garantiu que, apesar de ter residência no município, mora em Curitiba. ‘‘Só recebo da Assembléia. Não da prefeitura. Fico lá (na Assembléia) todos os dias. Só emprestei meu nome, na verdade, para a disputa da prefeitura’’, explicou. Milléo também alegou que vice-prefeito não precisa dar expediente. ‘‘Viajo muito com o deputado’’, contou Milléo, que ocupa um cargo eletivo pela primeira vez. O vice-prefeito entrou na Assembléia em 1986 e virou estatutário por meio da lei 10.219/92.

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