Telêmaco Borba - Depois de ficar detido por 12 horas, durante a noite de quarta-feira, na delegacia de Telêmaco Borba, município com 61.115 habitantes a 128 km ao norte de Ponta Grossa, o vereador e ex-presidente da Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito no ano que vem, Nezias Trindade da Silva (PSB), negou ontem que tenha ameaçado e coagido Aloísio Passenko, coordenador de um time de futebol feminino que denunciou o vereador por má utilização do dinheiro público. Na manhã de ontem, o juiz João Campos Fischer relaxou a prisão em flagrante por coação no curso do processo e Nezias foi liberado.
O promotor do Patrimônio Público, Adriano Zampieri Calvo, disse que Nezias teria coagido a testemunha e, por isto, foi preso em flagrante. O Ministério Público, que investiga o caso, vai ingressar com uma ação civil pública contra a Mesa Diretora da Câmara Municipal da época por atos de improbidade administrativa. Na Polícia Civil foram instaurados dois inquéritos, um que vai apurar a coação de Nezias contra Aloísio, e outro que vai apurar se houve calúnia de Aloísio contra Nezias. O delegado Hélio Nunes Pires disse que a Polícia tem prazo de 30 dias para a investigação.
Nezias negou as denúncias. ''Eu não dava gasolina para ele'', reagiu o vereador. ''O promotor me deu voz de prisão sem eu falar nada'', reclamou. Segundo ele, também foram acusados por Aloísio, o atual presidente da Câmara, Edson Francisco Mendes (PMDB) e o vereador José de Almeida Salles (PDT).
Este último disse que ''ajudou Aloísio apenas com um bujão de gás e duas cestas básicas'' e que só ficou sabendo da suposta concessão de combustível pelas denúncias feitas por uma rádio local. ''Tudo isto é uma armação política de meus adversários contra minha candidatura'', analisou Nezias.
Há sete meses o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou o relatório de uma auditoria realizada nas contas de 2001, da Câmara de Telêmaco Borba, apontando diversas irregularidades, entre elas, gastos com combustíveis. Na época, o presidente era o vereador Nezias Trindade da Silva.
A auditoria, assinada pelo técnico de controle contábil Daniel Cândido da Silva e pelo contador Edison Custódio, aponta que em nove meses, entre janeiro e setembro de 2001, foram gastos R$ 49.481,17 com combustível, sendo que a frota da Câmara Municipal é de apenas dois veículos e uma motocicleta.
Considerando o preço médio de R$ 1,78 por litro de combustível, de acordo com o relatório da auditoria, foram consumidos 27.798 litros, que dariam para percorrer perto de 277.983 quilômetros, ou seja, 138.991 quilômetros por veículo, o que corresponde a 15.443 quilômetros rodados por veículo/mês. O TCE encaminhou o relatório à Procuradoria Geral de Justiça.

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