O vereador de Francisco Beltrão, Jair Link (PPB), a funcionária do Legislativo, Adriana Aparecida Brange, e o assessor de imprensa Valdecir Maciel foram presos ontem de manhã, acusados de peculato, formação de quadrilha e falsificação de documentos públicos. A prisão temporária (de cinco dias) foi decretada pelo juiz Marcelo Walbach da Silva, por solicitação do Ministério Público (MP).
O promotor Eduardo Cabrini disse que foi pedida a prisão dos acusados porque algumas testemunhas estariam sofrendo pressão e não relatavam os fatos sobre o caso. Link foi presidente da Câmara entre 1999 e 2000, período em que teriam ocorrido as irregularidades. Para apurar os fatos, foi formada uma Comissão Temporária Parlamentar de Inquérito Especial (CTPI). O relatório da comissão aponta que foram encontrados casos de beneficiamento explícito de terceiros, superfaturamento de notas, adulteração de documentos, desvio de recursos, prejuízos a funcionários da Casa e contratação ilegal de servidores.
O relator da CTPI, Fábio Melati (PMDB), disse que um exemplo de adulteração é o caso de uma nota fiscal de R$ 198,00 que foi lançada na contabilidade da Câmara com o valor de R$ 2.198. Outra irregularidade citada pela comissão é a contratação de estagiários, que deveriam receber 1,5 salário mínimo, mas que ganhavam cerca de R$ 1.300.
Segundo o promotor Cabrini, está em curso um processo que investiga o caso. Ele disse que houve a comprovação de desvios, restando apenas saber quem foi o responsável. ‘‘O Jair Link tem uma responsabilidade civil; não há uma acusação individual contra nenhum dos envolvidos’’, salientou. Cabrini informou que serão realizados exames grafológicos nas notas adulteradas para averiguar a autoria.
As denúncias contra os três partiram do radialista Eusny Pereira, que afirmou que dos mais de R$ 10 mil que teriam sido pagos pela Câmara à sua empresa, relativos a serviços, ele recebeu apenas R$ 4 mil. Eusny prestou depoimento ontem, no final da tarde, na delegacia de Polícia Civil.
O advogado de Link, Sadi de Marco, pretende entrar com um recurso para relaxar a prisão. Mas afirmou que para tomar esta providência depende do depoimento das testemunhas.

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