Vereador é investigado por engordar salário
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Agência Estado Belo Horizonte 
A corregedoria da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte abriu sindicância ontem para investigar denúncias de que o vereador Valter Tosta (PTN) estaria engordando o próprio salário de R$ 4,5 mil para mais de R$ 10 mil por meio da apropriação de parcelas dos vencimentos de funcionários, ligados a seu gabinete. A denúncia foi feita por Samuel Andrade Pinel, ex-chefe de gabinete de Tosta (PTN). Pinel disse que, entre janeiro e maio deste ano, foi obrigado a reverter mensalmente para o vereador R$ 1.100,00, retirados de seu salário bruto de R$ 3.660,00.
Outros três funcionários indicados para a Câmara por Tosta - uma auxiliar de serviços odontológicos da Câmara, um motorista e a nova chefe do gabinete - estariam sendo forçados a fazer o mesmo, totalizando um acréscimo de pelo menos R$ 5 mil ao salário do parlamentar. Tenho fitas cassetes gravadas com conversas que provam minha denúncia e vou apresentá-las em breve, afirmou Pinel. Cada um dos 37 vereadores da capital tem R$ 14 mil mensais para gastar com funcionários no gabinete ou em outros setores da Câmara. Nenhum dos servidores pode receber mais que R$ 6.160,00.
O corregedor Sérgio Ferrara Filho (PDT), que hoje ouviu Pinel, informou que, enquanto não tiver as fitas em mãos, nada pode fazer a respeito. Se as denuncias forem confirmadas, o vereador acusado pode ser até cassado, afirmou. Tosta negou tudo.
Embora nenhum dos 37 vereadores da Câmara de Belo Horizonte admita a prática de apropriação de parte dos salários de servidores todos confirmam a existência de um fundo parlamentar nos gabinetes formado por doações, inclusive dos servidores.


