Curitiba - O vereador Caio Szadkoski (PMDB), de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), está sendo acusado de fazer ligações ilegais de energia elétrica de um órgão público para empresas privadas de sua família. Conhecidas popularmente como ''gato'', as ligações teriam sido feitas entre junho de 2003, quando Szadkoski era secretário de Obras do município, até fevereiro deste ano, então já no cargo de vereador. O crime está sendo investigado pela Delegacia de Fazenda Rio Grande. A Câmara de Vereadores aguarda votação para decidir se também abre investigação. Caso a irregularidade seja comprovada, o parlamentar pode perder o cargo e até ser preso.
A administração municipal, que faz a acusação, alega que o vereador teria ''furtado'' energia elétrica da biblioteca municipal de Fazenda Rio Grande. A biblioteca funcionava em uma sala comercial ao lado de duas salas alugadas por um filho do vereador, responsável por uma oficina mecânica e uma sorveteria. De acordo com a denúncia de notícia-crime, feita em março ao Ministério Público (MP) pelo advogado contratado pela Prefeitura Geraldo Ribeiro, Nogueira de Carvalho Neto, a conta de energia elétrica da biblioteca passou de uma média de R$ 100 por mês, antes da ligação, para cerca de R$ 800. O crime causou um prejuízo avaliado em cerca de R$ 50 mil aos cofres públicos.
O delegado adjunto Leonardo Bueno Carneiro informou que o inquérito contra o vereador foi instaurado no dia 25 de março e tem 30 dias para ser concluído. ''Estamos ouvindo testemunhas, funcionários e vamos fazer uma perícia no local'', informa. Não há previsão para o encerramento do inquérito.
Szadkoski afirma que a acusação não tem fundamento e que caracterizaria perseguição política. Ele explica que pertence à bancada da oposição e tem denunciado ilegalidades na atual administração. ''Estão fazendo isso para tirar o foco de outras questões mais importantes'', afirma.
Quanto ao ''gato'', o vereador explicou que quando o filho alugou a sala, a energia já estava funcionando dessa forma. Por isso, imaginou que a conta do fornecimento do serviço estava inclusa no aluguel e no condomínio. ''Meu filho saiu do imóvel em 2006. Depois passaram mais três inquilinos no local. Se ele tivesse feito o 'gato', teria tirado quando saiu'', alega. Para Szadkoski se a ligação ilegal foi mesmo feita, quem tem de responder pelo crime é o filho, que foi quem alugou as salas.
Representados pelo vereador Marcelo Pelanda (PDT), os parlamentares se articulam para montar uma comissão para investigar o crime. De acordo com Pelanda, já foi apresentado na Câmara um requerimento solicitando a autorização para a abertura das investigações. Pelanda acredita que a votação será realizada na sessão de amanhã. Szadkoski disse não estar preocupado com a investigação. ''Para mim não tem problema. Vão apurar os fatos e vão descobrir que não há nada'', garante.
Contratação
O advogado Geraldo Ribeiro Nogueira de Carvalho Neto foi contratado para representar o muncípio de Fazenda Rio Grande no caso de dispensa de licitação. Segundo ele, a contratação se fez necessária porque a prefeitura precisava de uma equipe com experiência para cuidar do caso. A procuradora-geral do Município, Maria Adriana Pereira, disse que o Tribunal de Contas abre a possibilidade de contratação de profissionais ''em questões que exigem notória especialização ou para processo que exijam demanda''. ''Como não sou especializado em direito criminal, foi necessária a contratação. Eu mesmo deferi o parecer que permite a contratação direta do profissional'', explica.

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