O presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Orlando Bonilha (PL), é acusado de chantagear uma suposta ex-funcionária de seu gabinete com o pedido de parte do salário dela, em troca da efetivação no cargo de assessora parlamentar.
A denúncia está formalizada na ação trabalhista que foi protocolada ontem à tarde pelo advogado André Arruda, contratado pela secretária Vilma de Fátima Louzert. De acordo com ele, a cliente teria trabalhado com Bonilha do início de 2004 a maio deste ano, sem registro em carteira, sempre com a promessa de ''um dia'' ser efetivada no posto. No documento encaminhado à Justiça do Trabalho em Londrina, além dos R$ 25 mil de encargos como FGTS e aviso prévio, e equiparação salarial, a defesa ainda solicita uma indenização por danos morais. O argumento é que Bonilha ''várias vezes'' teria sido grosseiro com a suposta funcionária, a ponto de, na própria Câmara mas longe do Plenário , tê-la ''xingado e humilhado, aos berros e até com socos na mesa''. A declaração contrasta com o modo de ser relativamente calmo do parlamentar diante dos microfones da Casa, onde, sempre que pode, faz referência a algum livro da Bíblia. Bonilha é evangélico.
A Folha tentou contato com Vilma durante dias, mas ela não quis conversar diretamente com a reportagem, alegando temer a repercussão que isso pudesse trazer na ação que move contra o vereador. Segundo Arruda, contudo, nos autos é relatado o estopim para a decisão de acionar o parlamentar na justiça: a demissão em maio passado. Na ocasião, continuou, com base na petição, Vilma teria sido convidada a ser efetivada como assessora, desde que ela devolvesse parte do salário a Bonilha. O advogado não citou quanto seria pago à assessora nem a porcentagem que teria sido reclamada pelo contratante. O único detalhe é que ela teria de sacar o dinheiro que a Câmara lhe depositaria e ''devolver'' uma parcela, em espécie, todo mês. Diante da recusa, a demissão do gabinete.
O advogado contou que a autora da ação fazia ''o mesmo trabalho que os outros três assessores do gabinete do presidente, que recebiam, me média, cerca de R$ 1,8 mil''. Receoso de citar o salário de Vilma, em princípio, ele explicou depois que ela recebia um salário mínimo no período relatado boa parte dele, portanto, quando o mínimo estava em R$ 260. ''Ela trabalhou um período no gabinete, fazendo o horário administrativo da Câmara (das 13 às 19 horas), e, durante a campanha eleitoral, às vezes até três períodos'', exemplificou. ''É indecente trabalhar um tempão todo desse com a pessoa e ser pedida ainda uma devolução'', avaliou.
Se há provas? ''Provas testemunhais que comprovam o pedido de indenização por danos morais; no caso, funcionários da própria Câmara, e a agenda dela durante a eleição, mostrando que esteve em diversas reuniões em vários bairros, com diversas lideranças comunitárias'', completou. Provas do recebimento de um salário mínimo? ''Não, nenhuma, mesmo porque o vereador apenas pedia a ela que assinasse uns recibos do valor pago, sem lhe entregar uma segunda via''.
Na ação, a defesa solicita, por fim, que a Justiça do Trabalho encaminhe ofício à Câmara solicitando informações de quanto ganham os assessores e o chefe de gabinete da Presidência. ''Para respaldar o pedido de equiparação salarial'', justificou o advogado de Vilma.
A Folha tentou contato ontem com Bonilha, mas, por meio da assessoria de imprensa do Legislativo, ele informou que não falaria sobre o assunto. Além disso, avisou, ele só se manifestará a respeito depois que for notificado judicialmente para se ''defender das acusações mentirosas''.

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