Vereador do PT se nega a abrir sigilo bancário
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Denise Angelo<br>De Ponta Grossa 
O vereador José Luiz Teixeira, do PT de Ponta Grossa, disse ontem que só vai revelar sua movimentação financeira com determinação da Justiça. Ele e o chefe de Gabinete do prefeito Péricles de Holleben Mello (PT), Valdenor Nascimento, estão sendo acusados de desviar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Os valores teriam sido usados na campanha de Teixeira à Câmara.
Os recursos chegaram à cidade através do sindicato dos Metalúrgicos, que desenvolve o programa Integrar, criado pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM). Segundo o ex-coordenador pedagógico do programa José Tizot, entre 98 e 2000 teriam sido desviados mais de R$ 250 mil, sendo R$ 200 mil só em 2000. Tizot apresentou notas fiscais que seriam falsas e teriam sido usadas para ''esquentar'' a comprovação dos gastos.
Teixeira disse ontem em entrevista coletiva que no ano passado Ponta Grossa recebeu R$ 213 mil para o desenvolvimento do projeto. ''Se tivéssemos desviado R$ 200 mil, como teríamos pago professores, alimentação dos alunos e
vale-transporte de um ano inteiro só com R$ 13 mil?''
O chefe de Gabinete também nega qualquer irregularidade. Apesar disso, nenhum dos dois acusados concorda em abrir suas contas. ''Não vou abrir meu sigilo bancário por causa de uma pessoa que vamos começar a mostrar quem é.''
Os dois acusados também não apresentaram relatórios sobre o uso do dinheiro e não souberam responder várias perguntas da imprensa. A alegação é de que Tizot teria roubado documentos da sede do sindicato. ''Sem esses documentos não podemos responder uma série de coisas'', justificou Teixeira. Ele disse ainda que já pediu à sede da CNM em São Paulo uma cópia da prestação de contas.
Os acusados também disseram que vão enviar um ofício ao Ministério Público, oferecendo material necessário para que seja feita uma investigação. Também pretendem pedir a instauração de inquérito para apurar o furto dos documentos, além de mover uma queixa-crime contra Tizot por calúnia e difamação. Tizot saiu da cidade e não deixou seu novo endereço porque diz estar sendo ameaçado de morte.


