Vereador diz que excursão não tem fim eleitoreiro
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terça-feira, 06 de junho de 2000
Michele Muller De Curitiba 
O vereador de Curitiba, Osmar Bertoldi (PPB), disse que as viagens de trem a Paranguá que ele ofereceu a 1,2 mil pessoas nas últimas duas sexta-feiras, conforme a Folha noticiou no final de semana, não têm intenção de comprar votos. Ele afirmou que ninguém precisou apresentar o número do título de eleitor para ganhar as passagens e a excursão de trem. Deve ter havido algum mal-entendido. Não exigimos o título de ninguém, tanto que crianças participaram do passeio, argumentou.
A reportagem esteve na rodoferroviária minutos antes da viagem. Não foi vista nenhuma criança, e os poucos adolescentes de menos de 18 anos garantiram que precisaram comprovar que eram eleitores na hora de se inscrever para o passeio. As inscrições foram feitas nas associações de bairro com coordenadores regionais do projeto. Quase todas as pessoas entrevistadas disseram que votariam em Bertoldi temendo que, de posse do número dos documentos, houvesse um controle de votos.
Nós sempre promovemos programas para a terceira idade. Só porque agora estamos perto das eleições as pessoas vêem mal onde não existe, alegou o vereador. Ele afirmou que a proposta do passeio era levar apenas idosos à Paranaguá. Os aposentados, entretanto, representavam apenas cerca de 50% do público da viagem. Acabou escapando do controle, porque muitas avós quiseram levar os netinhos ou a família, observou.
Além das passagens, Bertoldi ofereceu aos convidados almoço e lanches. Segundo o vereador, os gastos foram cobertos com ajuda de amigos. Cada um dos meus amigos comprou algumas passagens. A intenção foi apenas de cunho social, garantiu ele. O vereador não quis revelar o custo total das viagens. A Folha apurou que cada passagem custa em média R$ 25,00 e que a empresa Serra Verde Expresso deu desconto por conta do pacote.


