Com um salário de R$ 455, o vereador Genésio Francisco Pinto Neto (PT), da cidade de Messias Targino, no Oeste do Rio Grande do Norte (312 quilômetros de Natal), inscreveu-se num concurso público municipal que oferece uma vaga para a função de coveiro. Pinto Neto, de 21 anos, mais conhecido como ‘‘Pola’’, está preocupado em pagar dívidas de casa e melhorar as condições de vida. O emprego de coveiro, se ele for aprovado, vai acrescentar um salário mínimo à renda mensal dele. A disputa pela vaga tem um forte concorrente. Pola vai enfrentar, no concurso, o taxista Francinaldo Ezequiel da Silva, de 28 anos, irmão do vice-prefeito e de um vereador locais.
‘‘Sou vereador, mas posso não me reeleger’’, admite Pola, eleito em 1996, com 124 votos. A função de coveiro é a única que se enquadra no currículo escolar do vereador. Ele só tem o ginásio. Pola, que garante não ter medo de mortos, visita o cemitério público para se familiarizar com o possível ambiente de trabalho. ‘‘Vendo pipoca e cerveja em lata nas horas vagas e também posso ser coveiro’’, assegura.
A maioria dos moradores da cidade acha que o vereador e o taxista não precisam do emprego. Pola rebate: ‘‘Estou honrando meu mandato, e aqui não morre gente todo dia; portanto, o emprego não vai atrapalhar minha atuação na Câmara’’, acredita.

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