Vereador deve retornar hoje
O vereador Sebastião Miguel (PPB), de Sertanópolis (40 km a leste de Londrina), que protagoniza uma estranha história de ‘‘desaparecimento’’ ou ‘‘sequestro’’, deve voltar à cidade hoje. A Folha, que obteve a informação de uma fonte da família, não conseguiu contato com ele. Sua mulher, Iracema Rodrigues Miguel, 57 anos, atribui o sumiço à política. ‘‘Não gosto de política, por isso ele não comenta quase nada comigo, mas meu filho quer ele passe para o outro lado (oposição) e acho que ele não quer. Hoje (ontem) era o último prazo dessa mudança de partido e acho que foi por causa disso’’, disse ontem à Folha, por telefone.
Iracema disse que o marido e o filho Jair, que desconfia de ‘‘sequestro político’’, não estão conversando há cerca de 20 dias. Na segunda-feira, o filho registrou queixa na Polícia notificando o desaparecimento do pai. Segundo o rapaz, o pai disse que ia para Curitiba na quarta-feira da semana passada e voltaria na sexta, o que não ocorreu. ‘‘Estão dizendo que ele está na praia, mas não falou nada. Ele mentiu que ia para Curitiba’’, reclamou.
Iracema, que é casada com o vereador há 37 anos, disse que o marido nunca ficou fora sem dar satisfação. ‘‘Ao menos para a mulher tem que avisar’’. Ela contou estar ‘‘muito enfezada’’. ‘‘E quando eu fico nervosa não como e não durmo’’.
Ontem, a confusa história sobre o desaparecimento do vereador ganhou novo embate entre grupos políticos de Sertanópolis. Situação e oposição atribuem sua ausência da cidade à disputa política.
A oposição ao prefeito Reinaldo Ramos Reis (PSDB), de quem Miguel é aliado, disse que o vereador foi retirado da cidade pela equipe de Reis para evitar sua mudança de partido rumo ao bloco da oposição, formado por quatro dos nove vereadores da Câmara. A situação acredita que o vereador saiu da cidade por conta própria para evitar pressões que estaria sofrendo da oposição.
‘‘Ele me disse que não aguentava mais tanta pressão, inclusive do filho, e viajou para fugir dessa pressão política’’, afirmou o vereador Luiz Carlos Almeida (PFL), da bancada de sustentação do prefeito no Legislativo. ‘‘Ele me falou estava sendo pressionado para se manter no grupo de apoio ao prefeito e estava tendo dificuldade para se desligar’’, disse o vereador Antônio Vieira (PPS), do bloco da oposição. (P.Z.)

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