Vereador denuncia obra eleitoral em Cambé
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quinta-feira, 11 de maio de 2000
Pedro Livoratti De Londrina 
O vereador de Cambé Jeferson Marques da Silva (Jeferson Radar) (PPB) ingressou ontem com uma queixa-crime junto à promotoria do município contra o prefeito José do Carmo Garcia (PTB). Silva denuncia o prefeito de ter convocado uma reunião com os outros 10 vereadores para discutir obras com fins eleitoreiros, para ajudá-los nas eleições de outubro. O prefeito negou ontem a denúncia feita pelo vereador e afirmou que apenas cumpre um cronograma com recursos do Programa Paraná Urbano. Ao todo estão sendo investidos R$ 3 milhões.
Segundo a denúncia, a reunião foi realizada no último dia 24, na prefeitura. Apenas o vereador Jeferson Silva não teria sido convocado para o encontro. Ele contou que, na sessão, realizada no mesmo dia, horas depois, questionou em plenário sobre o teor do encontro. De acordo com Silva, o vereador Carlos Abudi (Berro) teria confirmado o assunto do encontro. A Folha não conseguiu contatar o vereador Abudi ontem à tarde. Silva diz ter testemunhas sobre o diálogo entre ele e o colega, na noite do último dia 24 de abril.
Quando requisitei a fita da gravação da sessão, constatei que ela havia sido adulterada, afirmou o vereador sobre a prova do diálogo. No documento ele pede uma perícia na gravação e inclusive a responsabilização da direção da casa.
O advogado do vereador, Glauco Ramos, explicou que, se for comprovada a realização de obras beneficiando vereadores ficará caracterizado um delito. Ele citou o artigo primeiro do decreto-lei 201/67, que dispõe sobre a responsabilidade dos prefeitos e vereadores. A lei prevê penas para agentes públicos que utilizarem indevidamente em proveito próprio ou alheio de bens, rendas ou serviços públicos.
Ainda segundo Jeferson Radar, dos 11 vereadores somente ele faz oposição ao prefeito José do Carmo, motivo pelo qual acredita não ter sido convocado para a reunião. Hoje os vereadores não trabalham para o interesse do povo, mas sim do prefeito, afirmou ele. Conforme Silva, nenhum requerimento seu está sendo aprovado atualmente no Legislativo pelo fato de ser pré-candidato declarado à Prefeitura de Cambé.
O presidente da Câmara de Vereadores, Cícero Aparecido Teixeira, negou que o prefeito tenha convocado uma reunião para debater obras eleitoreiras. O que debatemos, isto sim, foram obras de interesse da comunidade, reagiu. O presidente disse que não ouviu a fita que traz a gravação da sessão de 24 de abril, mas explicou que todo o diálogo pode ser verificado na ata da sessão, que inclusive foi aprovada pelo plenário. Não tive a preocupação em ouvir, mas está tudo transcrito na ata, sugeriu ele.
O prefeito José do Carmo Garcia preferiu não polemizar com o vereador. Respondo com trabalho. A administração está em ordem, respiramos este momento, afirmou ele. Zé do Carmo creditou a denúncia de Silva à necessidade de criar fatos políticos para a campanha dele. O prefeito disse que costuma fazer reuniões com os vereadores para discutir os assuntos do município.
Ele informou que o município tem hoje 58 obras, que representam investimentos de R$ 3 milhões, financiados com recursos do Programa Paraná Urbano. São obras que estão sendo executadas desde o começo do ano, tudo aprovado por unanimidade na Câmara, explicou ele.
Estas obras beneficiam toda a comunidade e não os vereadores. Não posso paralisar os trabalhos agora só porque é ano eleitoral, afirmou o prefeito. Entre os projetos que estão sendo realizados, ele citou ampliação de escolas, construção de quatro creches, pavimentação asfáltica na zona rural e urbana, Postos de Saúde e obras de sinalização viária. Quando o prefeito não executa nada a oposição fica feliz, mas quando ocorre o contrário a tendência é encontrar justificativas, defendeu Garcia.
Sobre a temperatura eleitoral em Cambé, o prefeito disse que ainda não se decidiu sobre sua candidatura à reeleição. Uma definição, informou ele, deverá ser tomada no próximo mês, quando serão realizadas as convenções partidárias.


