Vereador denuncia 'aluguel' da sacada da Maternidade
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terça-feira, 18 de outubro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Câmara de Vereadores de Londrina recebeu ontem a denúncia de que uma das sacadas da Maternidade Municipal estaria sendo usada, na verdade, como arquibancada para jogos do Londrina Esporte Clube (LEC). A questão foi levada a plenário pelo petebista Luiz Carlos Tamarozzi. Segundo ele, um servidor da maternidade estaria ''vendendo'' o espaço aos colegas, em troca de um suposto apoio nas eleições municipais de 2008. Esse mesmo funcionário, por sinal, concorreu no pleito de outubro a uma cadeira no Legislativo.
De acordo com o vereador, o ''camarote'' vinha sendo negociado já há algum tempo - pelo menos desde as partidas do Tubarão no Campeonato Paranaense, iniciado em janeiro, e no Campeonato Brasileiro da Série C, do mês de julho. O argumento: a vista privilegiada para os fundos do estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), vizinho ao prédio da Maternidade.
Tamarozzi não quis revelar o nome do servidor, mas adiantou que se trata de um vigilante que entregava um cartão manuscrito com seu nome completo e números de telefone fixo e celular. Cada jogo, disse o vereador, atraía a média de ''público'' de 30 a 40 pessoas. Segundo o Tamarozzi, as informações foram todas repassadas por um servidor do hospital ''que tem intenção de provar documentalmente tudo que está dizendo além de ele próprio ter sido convidado três vezes para acompanhar as partidas de lá''. A visita do denunciante à Câmara era esperada ainda para a sessão de ontem, o que acabou não acontecendo.
''Além do mais, pelo que me foi relatado, médicos e funcionários do hospital ainda dedicavam parte do horário de trabalho para assistir aos jogos, em vez de atender os pacientes. Espero que ao menos uma sindicância seja aberta para apurar isso'', complementou Tamarozzi.
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, declarou que ainda hoje será aberto o procedimento administrativo para apurar se a denúncia tem ou não procedência. ''Como é uma iniciativa dali de dentro, é a própria comissão formada pela administração que definirá se vai haver punição, e qual'', definiu Fernandes, que se disse ''surpreso'' com o suposto fato. ''Eu nem sabia que dava para ver jogo dali'', justificou.
O diretor-geral da Maternidade, Rodrigo Rosseto Avanso, seguiu o tom do secretário. ''Nunca houve qualquer indício de que isso aconteceria no hospital, mas vamos investigar e, se realmente aconteceu, o funcionário será expulso'', defendeu, para em seguida completar: ''Só fico chateado de saber que isso foi parar na Câmara, e que um vereador tenha se prestado ao papel de discutir o assunto em plenário'', reclamou.
Avanso admitiu que um servidor disputou a eleição passada, do mesmo modo que não negou ter visto platéia na sacada em dia de jogo do LEC. ''É que o pessoal fuma ali, mas sempre que estou no VGD e vejo, ligo e peço para que não se demorem por ali''.


