Guto Rocha
De Londrina
Depois de ficar 12 dias fora de casa e ser considerado desaparecido pela família, o vereador de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), Sebastião Miguel (PPB), reapareceu ontem. Miguel disse, em entrevista em Londrina, que o seu sumiço foi a saída que encontrou para evitar novos problemas com o filho, Jair Miguel. ‘‘Este meu filho é cobra criada. Ele estava forçando para que eu mudasse de partido’’, afirmou.
Sebastião Miguel afirma que viajou para evitar brigas com seu filho e para descansar na praia de Camboriú
O vereador disse que dias antes de ele deixar a cidade, o filho chegou a pegar seus documentos escondido para preencher uma ficha de filiação no PPS de Sertanópolis. ‘‘Mas eu não posso ficar mudando pra lá e pra cá. Isso acabaria prejudicando minha imagem’’, comentou.
Sebastião Miguel, que está cumprindo seu primeiro mandato, disse que iniciou sua legislatura pelo PTB, que fazia oposição ao prefeito de Sertanópolis, Reinaldo Ramos Reis (PSDB). Segundo ele, a sua mudança para o PPB também foi provocada pelo filho Jair. ‘‘Fiz o que ele sugeriu para ficar na base de apoio do prefeito, e agora ele quer que eu mude novamente de partido. Mas isso eu não faço’’, afirmou.
O vereador disse que quando saiu de casa, avisou a sua esposa Iracema, que iria para Curitiba. Mas por causa do frio, acabou indo para Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Segundo ele, esta foi a primeira vez que viu o mar. Ele afirma que foi para o litoral acompanhado do amigo comerciante de Sertanópolis, Fernando Julian. Ele afirmou ainda que não levou a esposa porque ela não gosta de viajar e estava aguardando algumas visitas. Na semana passada, a sua esposa foi ouvida pela Folha, e ela afirmou estar muito ‘‘enfezada’’ com a falta de notícias sobre o paradeiro do marido.
Miguel afirmou ainda que sua viagem não teve nenhuma ligação com o processo de impeachment que a Câmara queria impor ao prefeito de Sertanópolis. A sua viagem acabou acontecendo alguns dias antes da votação de um requerimento na Câmara que pedia a cassação do prefeito Reinaldo Ramos Reis. ‘‘O pessoal da oposição queria que eu votasse a favor do impeachment do prefeito. Mas não faria isso com uma pessoa honesta como o prefeito’’, afirmou. O requerimento não passou nem na primeira votação.
O vereador disse que durante a viagem conheceu Itajaí e Brusque, e algumas indústrias têxteis da região. ‘‘Aproveitei a viagem para descansar, e também para ler a Bíblia que levei. Preciso estudar a Bíblia, quem sabe um dia viro pastor’’, disse o vereador, que é evangélico.

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