O presidente da Câmara de Vereadores de Apucarana (Norte), Alcides Ramos Júnior (DEM), e mais quatro funcionários comissionados nomeados por ele tiveram a prisão preventiva decretada na última terça-feira pela 3 Vara Criminal de Apucarana, a pedido do promotor de Defesa do Patrimônio Público Eduardo Cabrini, sob acusação de peculato e formação de quadrilha. Duas comissionadas chegaram a ser presas na manhã de ontem, mas o presidente da Casa e os outros dois comissionados estão sendo considerados foragidos pela Justiça. Para o advogado de Ramos, André Vianna, o termo ''foragido'' é equivocado, e o vereador deve se apresentar para esclarecimentos na próxima semana.
Segundo o que sustenta o Ministério Público (MP), na denúncia protocolada na segunda-feira na Justiça, o presidente da Câmara, os comissionados Henslei Rocha Burihan, Thiago Henrique Camotti, Rachel Michele Weckverth e Edilamar Alves dos Santos, dois ex-servidores da Câmara, Viviane Zanoni e David dos Santos, e vários comerciantes do município foram responsáveis por desvios de recursos públicos, causando dano de R$ 36,5 mil ao erário. Os desvios ocorreriam através de notas falsas de serviços supostamente prestados para a Câmara de Vereadores. Rachel e Edilamar foram detidas ontem, mas, como a segunda colaborou com as investigações, Cabrini pediu ainda ontem a revogação da prisão, que foi acatada.
O promotor, que além de Alcides e seus quatro comissionados denunciou outras dez pessoas, explicou que as investigações foram iniciadas quando o empresário dono da Agência de Publicidade Global denunciou o ex-sócio minoritário da sua empresa. ''Segundo ele, seu ex-sócio, que atualmente era comissionado de Alcides Ramos, Henslei, tinha emitido notas em nome da Câmara na ordem de R$ 16 mil, mas ele sabia que o serviço não tinha sido prestado'', disse. A partir da denúncia, a promotoria começou a buscar e apreender documentos e notas de empenho da gestão de Ramos que teriam confirmado a ação do vereador e dos comissionados.
Segundo a denúncia, foram emitidas notas nos valores de R$ 16 mil no nome da Agência Global, em serviços de publicidade que não foram prestados; R$ 1,1 mil em lavagens de veículos particulares, no nome da JC Car; R$ 826 em dois pneus e amortecedores, da Auto Center Pit Stop; R$ 4,2 mil, da Panificadora e Confeitaria Leal; R$ 906 da Panificadora Pão Quente; R$ 12,6 mil do Mercado Formosa, em gêneros alimentícios diversos que não foram usados pela Câmara; e R$ 749 da Decor Tintas. Todos os empresários foram citados na denúncia por terem participado da suposta fraude. Além disso, o promotor cita o desvio de um bem público, um data show no valor de R$ 1,7 mil, que só teria sido restituído à Casa após vários dias desaparecido.
O advogado de Ramos defende que o pedido de prisão preventiva de Alcides ''foi precipitado''. ''Desde o início das investigações meu cliente pediu licença do cargo duas vezes, por vinte dias, para mostrar que não tinha intenção de atrapalhar nas investigações.'' Segundo Vianna, ele não considera seu cliente ''foragido'', apesar de não saber responder onde ele estava no dia de ontem. ''Ele vai se apresentar na terça ou quarta-feira, e até lá vamos estudar o processo e ver do que ele está sendo acusado.''
A dona da Panificadora Leal, Ana Cláudia Fluk Leal, negou que tenha emitido notas para a Câmara de compras particulares de Alcides e seus comissionados. ''Houve um erro em uma das notas de compra. Escrevemos Câmara em uma compra da campanha do Alcides, mas ele pagou com o dinheiro dele. Era tudo separado'', defendeu. O dono da JC Car, Jairo Alves Pimenta, também negou envolvimento no suposto delito. ''Se eu soubesse que ia acontecer isso nem tinha feito serviço para a Câmara. Fizemos tudo certo, não tem nada irregular.'' A dona da Panificadora Pão Quente, Alaine Granetto, estava viajando e não atendeu ao celular. A FOLHA não conseguiu contato com o publicitário Valduir Pagani, os ex-servidores Viviane Zanoni e David dos Santos, com o empresário Simão Mazurok nem com os comissionados. Todos os denunciados, quando forem intimados, terão 15 dias para apresentar defesa sobre o caso.

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