O vereador Emanoel gomes (PRB) distorceu a discussão sobre igualdade de gênero do Plano Municipal de Educação (PME), que está em tramitação na Câmara de Londrina, ao criticar manifestações durante a Parada Gay, promovida em São Paulo no último domingo. O parlamentar se posicionou contra a troca do termo "sexo" por "gênero" e chegou a afirmar que o PME sugere que as crianças "fiquem na escola masturbando um ao outro".
O comentário foi feito enquanto discursava contra o evento ocorrido em São Paulo. O parlamentar exibiu uma série de fotografias com símbolos religiosos sendo profanados, mas ateve-se a uma específica, na qual uma artista desfilou presa a uma cruz em um carro alegórico, para repreender o comportamento dos participantes e da comunidade LGBT.
Emanoel, que nega ser homofóbico, pegou de carona o assunto para questionar a ausência da população em debates de projetos de lei que tratam dos direitos da comunidade LGBT. "O Kireeff protocolou projeto que abre espaço para o LGBT, agora tem o Plano Nacional de Educação, que troca a palavra sexo e coloca gênero. Depois que algo é aprovado, é difícil voltar atrás", alertou sobre a proposta do prefeito Alexandre Kireeff (PSD). O projeto de lei a que se refere (72/2015) cria a Ouvidoria-Geral do Município e a Coordenadoria-Geral dos Direitos Humanos, que tem um cargo para Assessor (a) de Políticas para a Promoção dos Direitos LGBT.
Ao convocar a população a acompanhar a discussão sobre o PME, Emanoel alertou que a alteração não passou no Congresso Nacional. "Mas querem pôr isso nos planos estaduais e municipais. Vocês querem que seus filhos fiquem na escola masturbando um ao outro? É isso que querem fazer", disse.
Elza Correia (PMDB) rebateu as declarações de Emanoel e disse que repudia atos na Parada Gay do mesmo modo que repudiou Sérgio Von Helder, ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus - à qual o vereador pertence –, que chutou a imagem de uma santa católica e acabou expulso. "Todos os evangélicos são aquele?", questionou.
Ela também afirmou que o PME não pode ser reduzido à questão de ideologia de gênero e refutou que incentivaria a masturbação em sala de aula. "Isso não é verdade. (Dizer algo assim) é sério", alertou.
No dia anterior, a questão de gênero provocou polêmica na reunião da Comissão de Justiça e Redação, que deveria emitir o parecer sobre a legalidade e constitucionalidade da matéria. Na ocasião, a secretária de Educação, Janet Thomas, afirmou que o plano propõe o debate sobre a igualdade de gêneros e não sobre a chamada ideologia de gêneros. O termo suscita desentendimentos porque é associado à discussão de liberdade sexual.

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