O vereador Joel Garcia (PDT) apresentou ontem, durante a sessão da Câmara de Londrina, o que - segundo ele -seriam documentos que apontariam uma suposta fraude no sistema de transporte coletivo da cidade. Garcia divulgou a resposta do pedido de informação feito ao Executivo em agosto e recebida esta semana, sobre veículos retirados da frota da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) nos últimos três anos e o histórico de venda dos mesmos.
As notas fiscais apresentadas pela TCGL mostram que 104 ônibus foram tirados de circulação e integralizados ao capital social da Mapa Comércio, Locação e Manutenção de Veículos Ltda., pelo valor de R$ 500 cada veículo. De acordo com informações contidas em certidão da Junta Comercial do Paraná, 11 empresas de transporte são sócias da Mapa, entre elas a TCGL. Documentos divulgados ontem pelo vereador mostram que os ônibus retirados de circulação pela outra empresa de transporte coletivo de Londrina, a Francovig, foram comercializados por valores que variam de R$ 58 mil a R$ 72 mil.
Para o vereador, depois de repassá-los à Mapa, a TCGL pode estar revendendo estes veículos por valores muito maiores, gerando um ''grande lucro para a empresa e um grande prejuízo ao sistema de transporte'', já que este lucro não entraria na planilha de custos apresentada à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para requerer aumento na tarifa. ''Claro que se declarassem o valor real de venda, eles (TCGL) não teriam como pedir reajuste'', disse Garcia.
Em nota enviada na tarde de ontem aos veículos de comunicação, o advogado da TCGL, Moacyr Correa Neto, informa que Joel Garcia ''continua criando factóides em relação à empresa''. No texto o advogado afirma que a Grande Londrina transfere os ônibus para uma empresa do grupo, responsável pela comercialização dos mesmos. ''No caso citado pelo vereador, os ônibus não foram vendidos pelo valor de R$ 500 e sim transferidos por este valor em regime de integralização de capital social da empresa que comercializa estes veículos.'' Segundo Correa Neto, ''estas operações de transferência estão regularmente contabilizadas e de acordo, e em restrita observância da legislação comercial, contábil e fiscal.''

mockup