O presidente da Câmara de Vereadores de Santo Antônio da Platina, Sebastião Carlos Bianchi (PPS), negou ontem ter votado a favor da aprovação das contas do último ano da gestão do prefeito José Ritti Filho (PPB). Ritti acusou Bianchi de estar por trás da divulgação da auditoria feita pela prefeitura nas contas de sua administração e de sua ex-mulher, Maria Eni da Silva Ritti. O ex-prefeito disse ainda que quem o denunciava (referindo-se a Bianchi) tinha aprovado as contas de sua administração. Este é o segundo mandato de Bianchi.
‘‘Não só votei contra a aprovação das contas do último ano de Ritti como votei contra a aprovação das contas de toda a administração da Eni’’, afirmou Bianchi, que encaminhou cópias da ata da Câmara à Folha com o registro de seu voto contrário à aprovação das contas de José Ritti Filho referentes ao exercício de 1992.
Na época, ele justificou que não compactuaria com a decisão do Tribunal de Contas (TC) de aprovar as contas do Executivo, ‘‘uma vez que existe uma denúncia de desvio de dinheiro do hospital de nossa cidade’’. Bianchi formalizou a acusação ao TC e, em 1995, o Tribunal julgou procedente a denúncia, comprovou o desvio de verba pública e determinou que Ritti devolvesse R$ 23,8 mil aos cofres públicos. À Eni Ritti, que o sucedeu no cargo, coube devolver R$ 7,08 mil.
Bianchi também negou que a Câmara tenha aprovado lei que autorizava o pagamento de diárias para complementar o salário do prefeito. A auditoria constatou que, em 1992, último ano do mandato de Ritti, ele recebeu 13 diárias por mês - que tinha, no máximo, 20 dias úteis. Era como se o ex-prefeito tivesse viajado 13 dias e permanecido apenas sete administrando o município. ‘‘O que a Câmara aprovou foi uma lei autorizando diárias para viagem e não para engordar folha de pagamento’’, afirmou Bianchi.
A lei nº 41, de 19 de setembro de 1991, dispõe sobre a criação de diárias para viagens. A lei não prevê mecanismos de complementação salarial para o prefeito. Ritti disse que fazia uso das diárias em viagens, mas reconheceu, em entrevista à Folha que as usava para completar seu salário, considerado ‘‘muito baixo’’ por ele.
A auditoria, divulgada na última sexta-feira pelo prefeito Flávio Maiorky (PFL) aponta rombo de R$ 2,5 milhões referente às duas últimas administrações (1989-1992 e 1993-1996). Cópias dos 17 relatórios concluídos pelos auditores foram enviadas à Câmara, ao TC, ao Ministério Público e à Procuradoria Geral de Justiça. ‘‘Fizemos uma consulta ao Tribunal para saber como proceder. Não dá para pedir 17 comissões especiais de inquérito’’, disse o vereador, que é pré-candidato a deputado estadual. ‘‘Independente de candidatura, sempre trabalhei’’, garantiu ele, que assumiu ter residido em casa cedida pelo Estado por ser funcionário do Decom desde 1979. ‘‘Mudei para minha própria casa, mas, enquanto morei lá, não houve ilicitude nenhuma’’, garantiu.

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