Vereador acusa Gianoto de novos desvios
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sábado, 30 de dezembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá 
O vereador Aldi Cezar Mertz (PDT) denunciou ontem o sumiço de R$ 400 mil de um convênio assinado entre a Prefeitura de Maringá e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema) para a construção do Jardim Botânico de Maringá nas antigas lagoas de contenção da Sanepar, localizadas na zona sul. A denúncia do vereador levou o Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação (Saop) - responsável pela execução do convênio - a descobrir ontem que de fato o dinheiro não foi parar no cofre da autarquia. A denúncia vai ser formalizada na próxima terça-feira, na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
Segundo Mertz, ele recebeu em junho deste ano informações de que o município havia firmado um convênio, mas que o local onde o valor deveria ter sido aplicado estava abandonado. Nós nem sabíamos da existência de um convênio com valor tão relevante como este, justificou. Através de um requerimento na Câmara aprovado no dia 20 de junho, o vereador questionou a prefeitura sobre o dinheiro e a execução do serviço. Em novembro, o município confirmou o repasse de R$ 400 mil através de um convênio assinado em 1997 entre o prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido) e o secretário estadual de Meio Ambiente na época, Histoshi Nakamura.
Pelo convênio, o município teria os R$ 400 mil para a execução de obras de recuperação de fundo de vale, com paisagismo e preservação ambiental para a construção do Jardim Botânico. Os documentos apresentados pelo vereador à Folha mostram o termo do convênio, a fatura do Saop atestando a execução dos serviços e o próprio Termo de Recebimento e Entrega da obra, assinado por funcionários da Sema.
Localizado em um terreno de 24 mil metros quadrados de fundo de vale, o Jardim Botânico de Maringá foi inaugurado no final da administração de Said Ferreira (sem partido), em 1996, apesar de as obras apenas estarem no início. Conforme o diretor técnico-executivo do Saop, Remígio Fondazzi, a autarquia iniciou a execução da obra em 1996, mas não recebeu pelos serviços. Fondazzi disse que na administração de Gianoto, o prefeito se comprometeu em alocar recursos de um convênio com o Estado para pagar o Saop. Hoje o Jardim Botânico está abandonado e tomado pelo mato.
O diretor garante que o Saop fez o serviço, cujo custo maior foi da limpeza dos dejetos nas lagoas e do aterro no local. Não temos culpa se a prefeitura abandonou o Jardim Botânico, porque a obra foi feita, mas a manutenção não cabe ao Saop, explicou ainda o presidente da autarquia, Ivo Barros. Segundo Barros, a prefeitura deve mais de R$ 6 milhões para o Saop, e os R$ 400 mil representam uma das dívidas com a autarquia.
Mertz promete apresentar hoje, segundo ele, uma das últimas denúncias como vereador contra Jairo Gianoto. Ele afirma que vai divulgar para a imprensa cópias de dois cheques da prefeitura de Maringá depositados em contas particulares do prefeito afastado. Um dos cheques é de R$ 40 mil e outro de R$ 32 mil. Os dois fazem parte, conforme Mertz, da relação de 31 cheques da prefeitura que juntos somam mais de R$ 549 mil, depositados pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi nas contas de Gianoto.


