Vereadores de Ivaiporã divulgaram ontem novos indícios de irregularidades na administração do prefeito cassado, Pedro Wilson Papin (PSDB), que incluem a compra de ''champanhe sidra'' com dinheiro do Fundef, verba federal que deve ser aplicada na educação. Segundo relatório preliminar elaborado pelos vereadores Edvaldo Aparecido Montanheri (PRP), Hélio Cruz Leão (PPS), Éder Bueno (PSDB) e Cyro Fernandes Júnior (PT), teriam sido compradas 70 garrafas da bebida, totalizando R$ 181,30.
Os recuros do Fundef teriam sido usados também para pagar ligações internacionais para os Estados Unidos. Os vereadores encontraram várias notas de empenho e fiscais em favor da tesoureira do Conselho do Fundef, Maria Wessler Brotti, que incluem pagamento de uma ''casa de frangos'' e postos de combustíveis de Curitiba. ''O mais importante é que as notas têm apenas o valor, estando em branco datas de emissão, destinatário, etc'', destaca Cyro Fernandes, chamando a atenção para o fato de que foram emitidas para a tesoureira, que deveria ter conhecimento nessa área.
Os processos licitatórios também são alvo de denúncias. Segundo o relatório, existem oito postos de combustíveis na cidade e, desde 2001, quando Papin assumiu a administração, apenas três postos recebem verbas anuais que se aproximam de R$ 1 milhão por meio de carta convite. ''Esse jogo só é possível porque as compras de combustíveis são fracionadas. Se fosse seguido o que determina a Lei 8.666/93, as compras do ano deveriam ser objeto de uma licitação modalidade concorrência pública'', descreve o relatório.
Há também referência à compra feita em uma empresa de vidros, no valor de R$ 551,30, acompanhada de um bilhete que mostra dimensões de vidros para ''Casa do Caseiro'' e ''Casa Nova'' e o destino do material seria ''Pedro Papin - Casa''.
Durante a apuração nos documentos da prefeitura, os vereadores encontraram vários comprovantes de venda referentes à compra de carnes, linguiças, grelhas e carneiros em nome do prefeito e de outros funcionários do alto escalão da Prefeitura. O relatório traz também informações já divulgadas pela Folha, como o excesso de pães comprados para o gabinete da prefeitura. Entre 4 e 18 de abril, foram pagos mais de 5 mil pães para o gabinete.
A Folha não conseguiu contato com o ex-prefeito. Ele não estava em sua residência e o celular permanceu desligado.

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