Verba de seguro pagou outras contas
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Em depoimento prestado ontem à Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara de Vereadores, o ex-presidente do Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina, Glenisson Rodrigues, admitiu ter utilizado para outros fins os recursos destinados ao pagamento de seguro de vida dos servidores. Atual funcionário da Secretaria Municipal de Obras, Rodrigues explicou em cerca de duas horas que, por alguns períodos de sua segunda gestão (terminada em maio de 2004), usou os repasses mensais do Executivo, descontados na folha dos servidores segurados, para quitar folha de pagamento de funcionários da entidade e obras na sede.
O ex-presidente do Grêmio por 10 anos falou a três dos cinco vereadores que compõem a CEI. O grupo foi formado há menos de um mês, após receber a denúncia de que a entidade estaria se apropriando dos valores repassados para o pagamento dos seguros. Até 1998, os repasses eram feitos diretamente entre Prefeitura e seguradora. Desde então, o Grêmio é estipulante (ou seja, intermediário) não somente para seus associados, mas também para os de outras instituições do gênero. Além da Câmara, a apuração segue na Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que aguarda a análise contábil de documentos do Grêmio e da Prefeitura para definir se instaura ou não inquérito criminal.
Ontem, Rodrigues afirmou que os problemas de atraso na folha de pagamento de seus funcionários teria surgido em junho de 2000, quando o Executivo teria suspendido, por até cinco meses, o repasse de cerca de R$ 11 mil referentes à mensalidade dos associados, cerca de R$ 20 cada um. Entretanto, nesse mesmo período, a administração municipal não deixou de enviar a verba para o seguro: R$ 49 mil de uma apólice coletiva com a Boa Vista Seguros, da Bradesco de Curitiba, e R$ 7 mil de uma apólice individual com a ABS Seguros, da Bradesco em Londrina.
''Retivemos o dinheiro (das seguradoras) porque era preciso pagar os funcionários nossos (a folha mensal ficava entre R$ 7 mil e R$ 8 mil). Além do mais, precisamos quitar dívidas trabalhistas e ainda reformar duas piscinas que seriam interditadas pela Saúde e os vestiários'', explicou. Questionado pelos membros da CEI se os associados tinham conhecimento da medida, Rodrigues foi taxativo: ''A diretoria se reunia para esses assuntos, mas eu é quem tomava as decisões''. Ao final, Rodrigues não quis contestar declarações do atual presidente, Luiz Bispo, segundo o qual existe hoje uma dívida de R$ 160 mil com Curitiba e outra, de R$ 43 mil, em Londrina. ''Tudo depende do entendimento da Justiça'', resumiu, não sem antes frisar que deixou R$ 6 mil em caixa para Bispo e ''somente duas mensalidades em atraso'' com cada empresa, dos meses de fevereiro e março de 2004.
O presidente da CEI, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), disse que a reunião foi positiva, mas comentou que é a intercalação dela com a de Bispo amanhã, às 14 horas que definirá as ações futuras. ''Mas chamou muito a atenção ter esviado para outros fins a verba que pagaria seguro. Acho que isso complica as coisas para ele'', observou o vereador.


