Curitiba - A Vara de Execuções Penais (VEP) de Curitiba recebeu ontem uma cópia do mandado de prisão do policial civil Délcio Augusto Rasera expedido pela Vara Criminal de Campo Largo, onde ele responde a um processo em que é acusado de chefiar um esquema de escutas telefônicas clandestinas. Por causa deste mandado, Rasera, que estava detido havia quase quatro meses, não poderia ter sido libertado na última sexta-feira, quando a 5ª Vara Criminal da capital lhe concedeu um alvará de soltura referente a outro processo. A VEP reconheceu o equívoco e atribuiu o engano a falhas de informação e ao excesso de alvarás naquele dia.
  O mandado de prisão repassado ontem pelo juiz Gaspar Luiz Mattos de Araújo Filho, de Campo Largo, foi exepedido em setembro, quando a Promotoria de Investigação Criminal (PIC) do Ministério Público desencadeou a operação em que Délcio Rasera acabou preso. O problema é que o mandado não havia sido cadastrado na VEP, órgão judicial responsável por controlar os pedidos de prisão e soltura de pessoas acusadas de crimes. Com isso, quando foi concedido o alvará da 5ªVara, onde Rasera responde a um processo por posse ilegal de armas, a VEP não encontrou outros pedidos de prisão contra o policial e acabou permitindo sua libertação.
  Ontem, o chefe do setor de alvarás de soltura da VEP, Arno Petris, reconheceu o erro. ‘‘Foi um equívoco de informações’’, disse. ‘‘Mas não houve qualquer tipo de má-fé. O alvará da 5ªVara chegou até nós sem nenhum tipo de pressão para que fosse liberado’’, acrescentou.
  Petris atribuiu o fato de o alvará de soltura de Délcio Rasera ter passado desapercebido ao excesso de documentos analisados na sexta-feira. ‘‘Naquele dia saíram da VEP quase cem alvarás’’, conta. ‘‘Não vou ter bola de cristal para saber se todos os nomes que estão neles respondem a outros processos’’, justificou, garantindo que o mandado de prisão expedido pela Vara Criminal de Campo Largo não estava cadastrado na VEP e por isso não apareceu no sistema de consulta.
  Na tarde de ontem, o mandado foi novamente enviado à VEP, que finalmente o cadastrou em seu sistema. Segundo Petris, o mandado seria enviado para a Polícia Civil, que a partir de então seria a responsável por recapturar Délcio Rasera. Como se trata de mandado contra um policial, ele seria enviado para a Corregedoria da instituição.
  A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) afirmou, no entanto, que não se manifesta sobre o assunto. Até a tarde de ontem, não havia informações sobre o paradeiro de Rasera. Comentários extra-oficiais davam conta de que ele teria viajado com sua esposa para São Paulo. Seu advogado, Luiz Fernando Comegno, foi novamente procurado pela reportagem, mas não foi localizado.
  Ontem, o advogado René Dotti, que é assistente da acusação no processo dos grampos telefônicos, afirmou que vai entrar com um pedido de investigação na Corregedoria da Justiça para que se apure de quem foi o erro que permitiu a libertação de Rasera. Segundo Dotti, como se trata de um assunto amplamente divulgado pela imprensa nos últimos meses, causa estranheza o fato ninguém ter checado a situação do policial perante a Comarca de Campo Largo.

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