Caracas– A Venezuela recuperou parcialmente a normalidade depois de uma semana de fortes convulsões que deixaram um saldo trágico de 50 mortos, e ontem iniciou uma discussão sobre o papel dos meios de comunicação na sociedade. O trabalho foi retomado e as ruas estão na mais profunda tranquilidade, salvo pelo adiamento do início das aulas nas instituições privadas e pelos sinais de destruição que ficaram depois dos saques do fim de semana.
Ivan Simonovis, chefe de segurança pública da prefeitura caraquenha, confirmou que os saques terminaram e que ‘‘reina a tranquilidade’’ em todas as áreas da capital venezuelana inclusive as que mais sofreram com os conflitos e com a violência da semana passada. O transporte público funciona normalmente e as lojas que não foram saqueadas abriram suas portas ao público, embora tenham registrado pouca movimentação. Os jornais caraquenhos voltaram às bancas mas vários canais de televisão continuam sem transmitir sua programação normal.
Não há uma explicação para o fato de os jornais não terem sido publicados no domingo e para os canais de televisão terem mudado sua programação jornalística, mas a versão que mais circula é a de que os repórteres têm medo de serem agredidos nas ruas de Caracas por grupos exaltados.
Fontes oficiais alertaram à EFE sobre uma campanha que vem sendo organizada por jornalistas dos meios de comunicação privados. A campanha consiste em diversos pedidos de asilo alegando a violação de direitos humanos. Várias embaixadas confirmaram que receberam numerosas ligações de supostos jornalistas dizendo que suas vidas estavam em perigo.
O vice-presidente do Governo, Diosdado Cabello, disse que se trata de uma campanha semelhante à lançada pelos meios de comunicação privados contra o Governo venezuelano durante a semana passada. O vice-presidente destacou que qualquer observador imparcial pode comprovar ‘‘a enorme diferença’’ que existe entre o que informaram as agências internacionais e o que a imprensa local apresentou.
A organização de defesa dos direitos humanos ‘‘Provea’’ denunciou a atitude dos meios de comunicação que violou o direito dos cidadãos à informação, e também a fustigação e o acossamento que alguns jornalistas sofreram. ‘‘Provea’’ afirma que ‘‘o papel dos meios de comunicação na Venezuela deve ser submetido a um debate’’.

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